domingo, 15 de novembro de 2015

ASSIM COMO É ACIMA, É ABAIXO - SUBINDO A ESCADA

CAPITULO IV

2.1-ASSIM COMO É ACIMA, É ABAIXO

Se traçarmos um paralelo entre as fases terrenas e as Quatro Fases Básicas da Luz, a era inanimada corresponde à Fase Raiz, a era vegetativa corresponde à Fase Um, a era animal à Fase Dois, a era falante à Fase Três, e a era espiritual à Fase Quatro.

A juventude fulminante do Planeta Terra durou vários bilhões de anos. Quando esfriou, a vida vegetativa apareceu, reinando sobre o planeta por mais vários milhões de anos. Mas assim como o nível vegetativo na pirâmide espiritual é muito mais estreito que o nível inanimado, o período vegetativo material foi mais curto do que o período inanimado na Terra.

Após a conclusão da fase vegetativa veio o período animal. Assim como foi com os dois graus anteriores, a era animal foi muito mais curta que a era vegetativa, correspondendo à proporção entre o grau vegetativo e o animal na pirâmide espiritual.

A fase humana, que corresponde ao nível falante na pirâmide espiritual, tem estado por aí nos últimos quarenta mil anos mais ou menos. Quando a humanidade completar sua evolução da quarta (e última) fase, a evolução se completará e a humanidade se reunirá com o Criador.

A Quarta Fase iniciou-se a cerca de cinco mil anos atrás, quando o ponto no coração apareceu pela primeira vez. Assim como no mundo espiritual, o nome do homem que experimentou este ponto pela primeira vez era Adão. Ele era Adam ha Rishon (O Primeiro Homem). O nome, Adão, vem das palavras Hebraicas, Adameh la Elyon (eu serei como o Superior), e reflete o desejo de Adão de ser como o Criador.

Nos dias atuais, no início do século XXI, a evolução está completando seu desenvolvimento da Quarta Fase - o desejo de ser como o Criador. É por isso que hoje mais e mais pessoas estão buscando respostas espirituais às suas perguntas.

3-SUBINDO A ESCADA

Quando os Cabalistas falam sobre evoluir espiritualmente, eles falam sobre subir a escada espiritual. É por isso que o Cabalista Yehuda Ashlag chamou seu comentário sobre O Livro do Zohar de Perush HaSulam (O Comentário Escada), pelo qual ele foi
chamado de Baal HaSulam (Possuidor da Escada). Mas se voltarmos algumas páginas atrás, nós verificaremos que “subir a escada” na verdade significa “voltar às raízes.” Isto é assim porque nós já estivemos lá em cima, mas agora temos que imaginar como voltar para lá por nós mesmos.

A raiz é o nosso objetivo final; é para onde finalmente estamos nos dirigindo. Mas para chegarmos lá rapidamente e pacificamente precisamos de um grande desejo por isso – um Kli. Tal desejo pela espiritualidade pode apenas vir da Luz, do Criador, mas para se tornar forte o suficiente, ele precisa ser intensificado pelo ambiente.

Vamos esclarecer isso um pouquinho: Se eu quero uma fatia de bolo, eu imagino o bolo em minha mente, sua textura, cor, doce fragrância, e a maneira como ele derrete em minha boca. Quanto mais eu penso sobre ele, mais eu o desejo. Na Cabalá, nós diríamos que “o bolo brilha” para mim com “Luz Circundante.”

Assim então, para desejarmos a espiritualidade, precisamos adquirir um tipo de Luz Circundante que nos fará desejar prazeres espirituais. Quanto mais Luz obtermos, mais
rápido progrediremos. Desejar a espiritualidade é chamado de “elevar MAN,” e a técnica para fazer isso é a mesma utilizada para aumentar o desejo pelo bolo – imagina-lo, falar sobre ele, ler sobre ele, pensar sobre ele, e fazer o que puder para focar-se nele. Mas o mais poderoso meio de aumentar qualquer desejo é o nosso ambiente social. Nós podemos usar o ambiente para intensificar nosso desejo espiritual, nosso MAN, e assim
acelerarmos nosso progresso.

Nós falaremos mais sobre o ambiente no Capítulo Seis, mas no momento, vamos pensar nisto dessa forma: Se todos à minha volta desejam e falam sobre a mesma coisa, e há apenas uma coisa que está “em foco,” eu sou impelido a deseja-la.

No Capítulo Dois, nós dissemos que a aparição de um Kli, um desejo, força os nossos cérebros a buscarem por uma maneira de preencher este Kli com Ohr (Luz), para satisfaze-lo. Quanto maior o Kli, maior a Luz; quanto maior a Luz, mais rápido encontraremos o caminho correto.

“Existe alguma diferença em chamar a Luz de “Luz Circundante” ou apenas de “Luz”?
Os títulos diferentes, “Luz Circundante” e “Luz”, referemse a duas funções da mesma Luz. A Luz que não é considerada Circundante é a que experimentamos como prazer, enquanto a Luz Circundante é a Luz que constrói o nosso Kli, o lugar onde a Luz finalmente entrará. Ambas na realidade são a mesma Luz, mas quando a experimentamos corrigindo e construindo a chamamos de “Luz Circundante.” Quando a sentimos como puro prazer, nós a chamamos de “Luz.”

Antes de desenvolvermos um Kli, é simplesmente natural que não recebamos Luz alguma. Mas a Luz está lá, circundando nossas almas assim como a Natureza sempre
nos circunda. Assim, enquanto não temos um Kli, a Luz Circundante constrói o nosso Kli para nós, aumentando nosso desejo por ela.

Nós precisamos ainda entender como a Luz Circundante constrói o nosso Kli e para começar porque é chamada de “Luz”. E para entendermos tudo isso, precisamos entender o conceito de Reshimot.

Os mundos espirituais e a alma de Adam ha Rishon evoluíram em uma certa ordem. Nos mundos, foi Adam Kadmon, Atzilut, Beria, Yetzira, e Assiya; e em Adam ha Rishon, a evolução foi chamada pelos tipos de desejos que emergiram – inanimado, vegetativo, animal, falante, e espiritual.

Assim como não esquecemos nossa infância, mas contamos com eventos passados nas experiências presentes, cada passo completado no processo evolucionário não é perdido, mas é registrado em nossa “memória espiritual” inconsciente. Em outras palavras, está dentro de nós toda à história de nossa evolução espiritual, do período em que éramos um com o Pensamento da Criação até hoje. Subir a escada espiritual significa lembrar-se mais uma vez dos estados que já experimentamos, e descobrir estas memórias.

Estas memórias são apropriadamente chamadas de Reshimot (registros), e cada Reshimo (singular de Reshimot) permanece para um estado espiritual específico. Porque nossa evolução espiritual se desdobrou em uma ordem específica, agora os Reshimot emergem em nós nesta exata ordem. Em outras palavras, nossos estados futuros já estão determinados porque não estamos criando nada novo, apenas nos lembrando de eventos que já ocorreram conosco, os quais não percebíamos. A única coisa que podemos determinar, e nós discutiremos isso detalhadamente nos próximos capítulos, é quão rápido podemos subir a escada. Quanto mais duro trabalhamos ao subi-la, mais rápido estes estados mudarão e mais rápido será nosso progresso espiritual.

Cada Reshimo é completado quando nós completamente o experimentamos, e como uma corrente, quando um Reshimo acaba, o próximo Reshimo emerge. Este próximo Reshimo originalmente criou o Reshimo presente, mas porque agora estamos subindo de volta a escada, o Reshimo presente está despertando seu criador original. Assim, nós nunca devemos esperar terminar nosso estado presente para que possamos descansar, porque quando o estado presente termina, ele conduzirá ao próximo na linha até que completemos nossa correção.

Quando tentamos nos tornar altruístas (espirituais), aproximamo-nos de nosso estado corrigido porque despertamos os Reshimot mais rapidamente. E por serem estes Reshimot registros de experiências espirituais superiores, as sensações que eles criam em nós são sensações mais espirituais. Quando isto acontece, começamos a sentir vagamente a conectividade, a unidade, e o amor que existe naquele estado, parecendo muito com uma luz tênue, distante. Quanto mais tentamos alcança-la, mais próximo chegamos dela, e mais forte ela brilha. Além do mais, quanto mais forte a Luz, mais forte o nosso desejo por ela, e assim a Luz constrói o nosso Kli, nosso desejo pela espiritualidade.

Agora vemos também que o nome, “Luz Circundante,” descreve perfeitamente como nós a sentimos. Enquanto não a tivermos alcançado, a veremos como externa, nos atraindo com sua ofuscante promessa de felicidade. Toda vez que a Luz constrói um Kli grande o suficiente para que entremos no próximo nível, o próximo Reshimo chega
e um novo desejo emerge em nós. Nós não sabemos porque nossos desejos mudam, porque eles sempre são partes de Reshimot de um grau mais elevado que o nosso nível atual, mesmo quando eles não parecem ser.

Assim como o último Reshimo emergiu, trazendo-nos ao nosso estado presente, um  novo desejo de um novo Reshimo agora se aproxima. É assim que continuamos nossa subida pela escada. É um espiral de Reshimot e ascensões que termina no propósito da Criação – a raiz de nossas almas, quando nos igualamos e nos unimos ao Criador.

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domingo, 4 de outubro de 2015

NOSSO UNIVERSO - A PIRÂMIDE

CAPITULO IV

1-NOSSO UNIVERSO

No início do capítulo anterior, foi escrito que antes de qualquer coisa ter sido criada, havia o Pensamento da Criação. Este Pensamento criou as Fases de Um a Quatro do desejo de receber, que criou os mundos de Adam Kadmon até Assiya, que então criou a alma de Adam ha Rishon, que se quebrou na miríade de almas que temos hoje.

É bastante importante lembrar esta ordem da criação porque ela nos lembra de que as coisas evoluem de cima para baixo, do espiritual para o material, e não da maneira contrária.

Em termos práticos, isto significa que nosso mundo é criado e governado pelos mundos espirituais. Além do mais, não há sequer um único evento em nosso mundo que não ocorra lá primeiramente. E a única diferença entre o nosso mundo e os mundos espirituais é que os eventos nos mundos espirituais refletem intenções altruístas, e os eventos em nosso mundo refletem intenções egoístas.

Por causa da estrutura em cascata dos mundos, nosso mundo é chamado de “mundo das consequências” dos processos e ocorrências espirituais. Qualquer coisa que façamos aqui não tem nenhum impacto nos mundos espirituais.

Portanto, se queremos mudar qualquer coisa em nosso mundo, temos de primeiramente ascendermos aos mundos espirituais, a “sala de controle” do nosso mundo, e afetarmos nosso mundo de lá.

2-A PIRÂMIDE

Assim como acontece nos mundos espirituais, tudo em nosso mundo evolui através dos mesmos cinco estágios de Zero a Quatro. Nosso mundo é construído como uma pirâmide. Na base, o início da evolução deste mundo, há o nível inanimado (estático), feito de trilhões de toneladas de matéria.

Perdido no meio destes trilhões de toneladas de matéria existe um minúsculo ponto chamado de “Planeta Terra”. E sobre esta Terra surgiu o nível vegetativo. Naturalmente, a vegetação sobre a Terra é infinitamente menor em massa do que a matéria inanimada sobre a Terra, e menor ainda quando comparada com a quantidade de matéria em todo o universo.

Os animais apareceram após o vegetativo, e possuem uma massa muito pequena, mesmo comparada à do vegetativo. O falante é claro, veio por último e tem a menor de todas as massas. Recentemente, um outro nível emergiu do nível falante.

Ele é chamado de “nível espiritual” ou “espiritualidade.” (Por estarmos falando de eras geológicas aqui, quando dizemos recentemente, queremos dizer que aconteceu apenas a alguns milhares de anos atrás.) Nós não podemos compreender o tamanho completo da Criação, mas se olharmos para a pirâmide da Criação (na Figura 5) e pensarmos nas proporções entre dois níveis vizinhos começaremos a entender exatamente como o desejo por espiritualidade é realmente recente e especial. Na verdade, se pensarmos no tempo que o universo tem existido – aproximadamente 15 bilhões de anos – como um único dia de 24 horas, o desejo por espiritualidade surgiu há 0,0288 segundos atrás. Em termos geológicos, isso é agora.


Assim, por um lado, quanto maior o desejo, mais raro (e mais jovem) ele é. Por outro lado, a existência de um nível espiritual, acima do nível humano, indica que nos não completamos nossa evolução. A evolução é dinâmica como Inanimado, Vegetativo, Animal, Espiritual.

A pirâmide da realidade é também a pirâmide dos desejos. Ela é válida tanto nos mundos espirituais como no mundo material. Sempre foi, mas porque somos o último nível que surgiu, nós naturalmente pensamos que estamos no nível mais alto. Podemos estar no nível mais alto, mas não estamos no nível final. Estamos apenas no último dos níveis que já surgiram.

O nível final usará nossos corpos como hospedeiros, mas consistirá de maneiras inteiramente novas de pensar, sentir e ser. Já está evoluindo dentro de nós, e é chamado de “nível espiritual”.

Nenhuma mudança física ou nova espécie é necessária, apenas uma mudança interna em nossa percepção do mundo. É por isso que a próxima fase é tão difícil de compreender; ela está dentro de nós, gravada em nossos Reshimot como dados em um disco rígido. Estes dados serão lidos e executados independentemente de estarmos cônscios deles ou não, mas podemos ler e executar os dados de forma muito mais rápida e prazerosa se os lermos com o “software” correto – a sabedoria da Cabalá.

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domingo, 28 de junho de 2015

ADAM HA RISHON – A ALMA UNIVERSAL

CAPITULO III

2-ADAM HA RISHON – A ALMA UNIVERSAL

Adam ha Rishon, a alma universal (a criatura), é a verdadeira raiz de tudo que acontece aqui. É uma estrutura de desejos que emergiu logo que a formação dos mundos espirituais foi completada. Como dissemos acima, os cinco mundos, Adam Kadmon, Atzilut, Beria, Yetzira, e Assiya completaram o desenvolvimento da parte superior da Fase Quatro. Mas a parte inferior ainda precisa ser desenvolvida.

Em outras palavras, a alma é feita de desejos inutilizáveis que não podiam receber a Luz com o objetivo de doar ao Criador logo quando foram criados. Agora eles precisam emergir um a um e tornarem-se corrigidos – utilizáveis - com a ajuda dos mundos, dos desejos utilizáveis.

Então, assim como a parte superior da Fase Quatro, sua parte inferior é dividida em níveis de desejo inanimado, vegetativo, animal, e falante. Adam ha Rishon se desenvolve através dos mesmos graus que os mundos e as quatro fases básicas. Mas os desejos de Adão (Adam) são egoístas, centrados em si mesmo; é por isso que ele não podia receber a Luz para começar. Como resultado, nós, as partes da alma de Adão,
perdemos a sensação de inteireza e unidade na qual fomos criados.

Precisamos entender como o sistema espiritual funciona. O desejo do Criador é doar; é por isso que Ele nos criou e nos sustém. Como dissemos, um desejo de receber é centrado em si mesmo por sua natureza; ele absorve, enquanto um desejo de doar é necessariamente focado para o exterior na direção do receptor. É por isso que um desejo de receber não pode criar. É por isso também que o Criador tem de possuir um desejo de
doar, ou então Ele não iria poder criar.

Todavia, por Ele querer doar, o que Ele cria necessariamente desejará receber, ou então Ele não poderá doar. Então Ele criou-nos com um desejo de receber, e com nada mais. É importante entender isso; não existe nada em nós  lém do desejo de receber, e não há nada que deveria estar em nós além de um desejo de receber. Daí, se recebermos Dele, o
ciclo é completado. Ele está feliz e nós estamos felizes. Certo?

Na verdade, não totalmente. Se tudo o que queremos é receber, então não podemos relacionarmo-nos com o doador porque não há nada em nós que se direciona para o exterior para observar de onde a recepção está vindo. Acontece que precisamos ter um desejo de receber, mas precisamos também conhecer o doador, e para isso precisamos de um desejo de doar.

É por isso que temos a Fase Um e a Fase Dois. O modo de termos ambos os desejos não é criando um novo desejo que não nos foi instilado pelo Criador. O modo de fazermos isso é olharmos exclusivamente para o prazer que estamos doando ao doador, a despeito do prazer que possamos ou não possamos experimentar no processo. Isto é chamado de
“intenção de doar.” É tanto a essência da correção, quanto o que nos muda como seres humanos de egoístas para altruístas.

E finalmente, logo que tenhamos adquirido esta qualidade, podemos nos conectar com o Criador, que é o que os mundos espirituais estão destinados a nos ensinar. Enquanto não nos sentirmos conectados ao Criador, somos considerados peças partidas da alma de Adam ha Rishon, desejos não corrigidos. No momento que tivermos a intenção de doar, nos tornaremos corrigidos e conectados, tanto ao Criador como a toda humanidade. Quando todos nós estivermos corrigidos, ascenderemos novamente à nossa Fase Raiz, mesmo para além do mundo de Adam Kadmon, ao próprio Pensamento da Criação, chamado de Ein Sof (Sem Fim), porque nosso preenchimento será infinito e eterno.

3-RESUMINDO
O Pensamento da Criação é doar deleite e prazer ao fazer uma criatura que é similar ao seu criador. Este Pensamento (a Luz) cria um desejo de receber deleite e prazer. Depois disso, o desejo de receber começa a querer doar porque o doar é mais similar ao Criador, e isto é claramente mais desejável. O desejo de receber então decide receber
porque esta é a maneira de doar prazer ao Criador. Após isso, o desejo de receber quer conhecer o Pensamento que o criou, porque que prazer pode ser maior do que conhecer a tudo?

Finalmente, o desejo de receber (a criatura) começa a receber com a intenção de doar porque a doação o faz similar ao Criador, é assim que ele pode estudar os pensamentos do Criador. Aqueles desejos que podem receber com o objetivo de doar criam os mundos, que são considerados a parte superior da Criação, e os desejos que não podem ser utilizados com o objetivo de doar compõem a alma universal de Adam ha Rishon.
Esses desejos são considerados a parte inferior da Criação. Os mundos e a alma são construídos similarmente, mas com uma intensidade diferente de desejos. Por causa disso, os mundos podem mostrar à alma como trabalhar com o objetivo de doar e assim ajudar Adam ha Rishon a se tornar corrigido.


Falando grosseiramente, cada desejo é corrigido em um mundo específico: o nível inanimado é corrigido no mundo de Adam Kadmon; o vegetativo no mundo de Atzilut; o animal no mundo de Beria; o falante no mundo de Yetzira; e o desejo pela espiritualidade pode apenas ser corrigido no mundo de Assiya, a parte inferior, à qual pertence o nosso universo. E isto nos leva ao tópico do nosso próximo capítulo.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

A TRAJETÓRIA

CAPITULO III

1.3 – A TRAJETÓRIA

Para completar a tarefa de se tornar idêntica ao Criador, a primeira coisa que a criatura precisa obter é o ambiente correto para se desenvolver e tornar-se como o Criador. Esse ambiente é chamado de “mundos.”
Na Fase Quatro, a criatura foi dividida em duas partes: superior e inferior. A parte superior forma os mundos, e a parte inferior forma a criatura, que é tudo que existe dentro desses mundos. Falando grosseiramente, os mundos são feitos de desejos onde o Masach permitiu entrar a Luz na Fase Quatro, e a criatura será feita de desejos nos quais o Masach não permitiu
que a Luz entrasse.
Nós já sabemos que a Criação é feita de uma só coisa: um desejo de receber deleite e prazer. Portanto, superior e inferior não se referem a lugares, mas a desejos aos quais nos referimos como superiores ou inferiores. Em outras palavras, desejos superiores são desejos que apreciamos mais do que desejos queconsideramos inferiores. No caso da Fase Quatro, qualquer desejo que possa ser utilizado para doar ao Criador pertence à parte superior, e qualquer desejo que não possa ser utilizado desta maneira pertence à parte inferior.



Por haverem cinco níveis de desejos – inanimado, vegetativo, animal, falante, e espiritual – cada nível é analisado.
Os utilizáveis criam os mundos, e os (ainda) inutilizáveis criam a criatura.
Anteriormente, nesse capítulo, dissemos que o padrão de quatro fases é a base de tudo o que existe. Portanto, os mundos se desenvolvem pelo mesmo modelo que funcionou na criação das fases. O lado esquerdo da Figura 4 é uma visão de dentro do conteúdo da Fase Quatro, mostrando sua divisão em partes superiores e inferiores, e mostrando que a parte superior contém os mundos e que a parte inferior contém a criatura.
Então, falemos um pouco mais sobre a Fase Quatro e sobre como ela trabalha com o Masach. Além do mais, a Fase Quatro somos nós, então se entendemos como ela funciona, podemos aprender algo sobre nós mesmos.
A Fase Quatro, Malchut, não apareceu simplesmente do nada. Ela evoluiu da Fase Três, que evoluiu da Fase Dois, etc.
De forma similar, Abraham Lincoln não surgiu simplesmente do nada como presidente. Ele cresceu de um pequeno bebê, para uma criança, daí para um jovem, e para um adulto que finalmente se tornou presidente. Mas as fases preliminares não desaparecem. Sem elas, o Presidente Lincoln não haveria se tornado o Presidente Lincoln. A razão pela qual não podemos vê-las é porque o nível mais desenvolvido sempre domina e sobrepõe o menos desenvolvido. Mas, o último e mais desenvolvido nível, não apenas sente a existência deles dentro dele, mas trabalha com estes outros níveis.
É por isso que existem momentos em que todos nós sentimo-nos como crianças, especialmente quando somos tocados em lugares que ainda não amadurecemos. Isto é simplesmente porque estes lugares não estão revestidos por uma camada adulta, e estes pontos sensíveis fazem-nos sentir como crianças indefesas.
Essa estrutura multicamada é que nos permite conseqüentemente tornarmo-nos pais. No processo de criação dos filhos, nós combinamos nossa fase presente com as anteriores: entendemos as situações que nossos filhos experimentam porque tivemos experiências similares. Nós relacionamo-nos com estas situações com o conhecimento e a experiência que acumulamos através dos anos.
A razão pela qual somos construídos dessa maneira é que Malchut (chamando-a pelo seu nome usado com mais freqüência) é construída exatamente da mesma maneira. Todas as fases anteriores de Malchut existem dentro dela e a ajudam a sustentar sua estrutura.
Para se tornar o mais similar possível ao Criador, Malchut analisa cada nível de desejo dentro de si própria, e divide os desejos em utilizáveis e inutilizáveis dentro de cada nível. Mas os desejos utilizáveis não serão usados apenas para receber com o objetivo de doar ao Criador. Eles irão também “ajudar” o Criador a completar Sua tarefa de fazer Malchut idêntica a Ele.
Umas poucas páginas atrás, dissemos que para realizar a tarefa de tornar-se idêntica ao Criador, a criatura precisa criar o ambiente correto para se desenvolver e tornar-se como o Criador. É exatamente isso que os mundos – os desejos utilizáveis – fazem. Eles “mostram” aos desejos inutilizáveis como receber com o objetivo de doar ao Criador, e, ao fazerem assim, ajudam os desejos inutilizáveis a corrigirem a si mesmos.
Nós podemos imaginar o relacionamento entre os mundos e a criatura como um grupo de operários de construção no qual um dos operários não sabe o que fazer. Os mundos ensinam a criatura demonstrando como realizar cada tarefa: como perfurar, como usar o martelo, um prumo, e assim por diante. No caso da espiritualidade, os mundos mostram à criatura o que o Criador deu a eles e como eles trabalham com isso de maneira correta. Pouco a pouco, a criatura pode começar a utilizar seus desejos desta maneira, também, e é por isso que os desejos em nosso mundo surgem gradualmente, do mais brando ao mais intenso.
Os desejos são divididos da seguinte maneira: O mundo de Adam Kadmon é a parte utilizável do nível inanimado, e a parte inferior do nível inanimado, a criatura, é a parte inutilizável. Na verdade, no nível inanimado não há nada para corrigir porque é imóvel e não usa seu desejo. O nível inanimado (em ambas as partes) é apenas a raiz de tudo que virá depois.

“De tudo o que aprendemos até agora, nós ainda não sabemos qual dos cincos mundos sobre os quais falamos é o nosso mundo. Na verdade, nenhum deles é o nosso. Lembre-se sempre que não existem “lugares” na espiritualidade, apenas estados.
Quanto mais elevado o mundo, mais altruísta é o estado que ele representa. A razão pela qual nosso mundo não é mencionado em lugar nenhum é que os mundos espirituais são altruístas, e o nosso mundo é, como nós, egoísta. Por ser o egoísmo oposto ao altruísmo, nosso mundo está separado do sistema dos mundos espirituais. É por isso que os Cabalistas não o mencionam na estrutura que descreveram.
Além do mais, os mundos não existem realmente, a menos que os criemos ao tornarmo-nos como o Criador.
A razão pela qual eles são tratados no passado é que os Cabalistas que ascenderam do nosso mundo para os mundos espirituais contam-nos o que eles encontraram.
Se quisermos encontrar os mundos espirituais também, teremos que recriar estes mundos dentro de nós tornando-nos altruístas.”

O próximo, o mundo de Atzilut é a parte utilizável do nível vegetativo, e a parte inferior do nível vegetativo, a criatura, é a parte inutilizável. O mundo de Beria é a parte utilizável do nível animal, e a parte inferior do nível animal, a criatura, é a parte inutilizável. O mundo de Yetzira é a parte utilizável do nível falante, e a parte inferior do nível falante, a criatura, é a parte inutilizável. Finalmente, o mundo de Assiya é a parte utilizável do espiritual, o mais intenso dos desejos, e a parte inferior do nível espiritual, a criatura, é a parte inutilizável.
Agora você sabe porque, se corrigirmos a humanidade, tudo mais será corrigido ao mesmo tempo. Então, falemos sobre nós e o que aconteceu conosco.

domingo, 28 de dezembro de 2014

A BUSCA PELO PENSAMENTO DA CRIAÇÃO

CAPITULO III

1.2 - A BUSCA PELO PENSAMENTO DA CRIAÇÃO

Mesmo que o Criador queira que nós recebamos o prazer de nos tornarmos idênticos a Ele, Ele não nos deu esse desejo de princípio. Tudo o que Ele deu para nós - a criatura, a alma unida de Adam ha Rishon - foi um anseio pelo prazer máximo.
Contudo, como podemos ver na seqüência de fases, o Criador não infundiu a criatura com um desejo de ser como Ele; isto foi algo que se desenvolveu dentro dela através das fases.
Na Fase Três, a criatura tinha já recebido tudo e intentado devolver ao Criador. A seqüência poderia ter acabado bem aqui, pois a criatura já estava fazendo exatamente o que o Criador fazia – doando. Neste aspecto, eles eram agora idênticos.
Mas a criatura não se conformou em doar. Ela quis entender o que faz a doação aprazível, por que uma força doadora é necessária para criar a realidade, e que sabedoria o doador obtém doando. Em suma, a criatura quis entender o Pensamento da Criação. Este era um novo desejo, um que o Criador não tinha “plantado” na criatura.
Neste ponto em sua busca pelo Pensamento da Criação, a criatura tornou-se um ser distinto, separado do Criador. Podemos ver isto desse jeito: Se eu quero ser como alguém, isto necessariamente significa que estou ciente de que alguém além de mim existe, de que este alguém tem algo que eu quero, ou é algo que eu quero ser.
Em outras palavras, eu não apenas compreendo que existe alguém além de mim, mas entendo que alguém é diferente de mim. E não apenas diferente, mas melhor. Caso contrário, por que iria eu querer ser como Ele?
Assim então, Malchut, a Fase Quatro, é bastante diferente das três primeiras fases porque ela quer receber um tipo de prazer bastante específico (por isso na figura há uma seta mais larga) – aquele de ser idêntico ao Criador.
Da perspectiva do Criador, o desejo de Malchut completa o Pensamento da Criação, o ciclo que Ele originalmente teve em mente (Figura 2).


Infelizmente, não estamos olhando para as coisas da perspectiva do Criador. Olhando daqui de baixo, com nossas lentes espirituais quebradas, a imagem é menos que ideal. Para o Kli (uma
pessoa), completamente oposto à Luz, se tornar como a Luz, ele precisa usar seu desejo de receber com a intenção de doar. Ao fazer isto, ele muda seu foco do seu próprio prazer para o deleite que o Criador recebe ao doar. E ao fazer assim, o Kli, também, torna-se um doador.
Na verdade, o receber com o objetivo de doar ao Criador já ocorreu na Fase Três. Com relação
às ações do Criador, a Fase Três já tinha completado a tarefa de se tornar idêntica ao Criador. O Criador doa com o objetivo de doar e a Fase Três recebe com o objetivo de doar, assim, nisto eles são iguais. Mas o máximo prazer não está em saber o que o Criador faz e em replicar Suas ações. O máximo prazer está em saber porque Ele faz o que faz, e em adquirir os mesmos pensamentos que os Dele. E esta, a mais elevada parte da Criação – o pensamento do Criador – não foi dada à criatura; ela é o que a criatura (Fase Quatro) precisa conquistar. Há uma bela conexão aqui. Por um lado, parece que nós e o Criador estamos em lados opostos da corte, porque Ele doa e nós recebemos. Mas de fato, Seu maior prazer é que nós sejamos como Ele, e nosso maior prazer será nos tornarmos como Ele. Similarmente, todo filho quer ser como seus pais, e todo pai naturalmente quer que seus filhos conquistem até mesmo aquelas coisas que o pai não alcançou.
Podemos concluir que nós e o Criador estamos na verdade perseguindo o mesmo objetivo. Se pudéssemos compreender este conceito, nossas vidas seriam muito, muito diferentes. Ao invés da confusão e desorientação que muitos de nós experimentamos atualmente, tanto nós como o Criador seríamos capazes de marchar juntos para o nosso objetivo designado desde a alvorada da Criação.
Os Cabalistas usam vários termos para descreverem o desejo de doar: Criador, Luz, Doador, Pensamento da Criação, Fase Zero, Raiz, Fase Raiz, Keter, Bina, e muitos outros. Similarmente, eles usam vários termos para descrever o desejo de receber: criatura, Kli, receptores, Fase Um, Hochma, e Malchut são apenas alguns. Esses termos referem-se a sutilezas nas duas características – doação e recepção. Se lembrarmos disso, não ficaremos confusos com todos esses nomes.
Para se tornar como o Criador, um doador, o Kli faz duas coisas. Primeiro, ele pára de receber, um ato chamado Tzimtzum (restrição). Ele bloqueia a Luz por completo e não permite nenhum pouco dela dentro do Kli. Similarmente, é mais fácil evitar comer alguma coisa saborosa, que não é saudável, do que comer apenas um pouco e deixar o resto no prato. Portanto, fazer o Tzimtzum é o primeiro e mais fácil passo para se tornar como o Criador.
A próxima coisa que Malchut faz é instalar um mecanismo que examina a Luz (prazer) e decide se ela irá recebê-lo, e se for, quanto. Este mecanismo é chamado Masach (tela). A condição pela qual o Masach determina quanto receber é chamada de “intenção de doar” (Figura 3). Em termos simples, o Kli apenas deixa entrar o que ele pode receber com a intenção de agradar ao

Criador. A Luz recebida dentro do Kli é chamada de “Luz Interna,” e a Luz que permanece do lado de fora é chamada de “Luz Circundante.”

Ao fim do processo de correção, o Kli receberá toda a Luz do Criador e se unirá com Ele. Este é o propósito da Criação. Quando alcançarmos esse estado, nós o sentiremos tanto como indivíduos quanto como uma única sociedade unida, porque na verdade, o Kli completo não é feito dos desejos de uma pessoa, mas dos desejos de toda a humanidade. E quando completarmos essa última correção, nos tornaremos idênticos ao Criador, a Fase Quatro será preenchida, e a Criação será completa de nossa perspectiva, assim como é completa da perspectiva Dele.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

QUATRO FASES BÁSICAS

CAPITULO III


QUATRO FASES BÁSICAS
Voltemos à nossa história. Para pôr o pensamento de doar prazer em prática, o Criador projetou uma Criação que especificamente quisesse receber o prazer de ser idêntica ao Criador. Se você é pai, você sabe como isso é. Que palavras mais ternas podemos dizer a um pai orgulhoso além de, “Seu filho é igualzinho a você!”?
Como acabamos de dizer, o Pensamento da Criação – de doar prazer à criatura – é a raiz da Criação. Por esta razão, o Pensamento da Criação é chamado de “Fase Raiz” ou “Fase Zero,” e o desejo de receber prazer é chamado de “Fase Um.”

                Note que a Fase Zero é mostrada como uma seta para baixo. Onde quer que haja uma seta apontando para baixo, o significado é que a Luz vem do Criador à criatura. Mas o contrário não é verdadeiro: onde quer que haja uma seta para cima, não significa que a criatura doa Luz ao Criador, mas que ela quer devolve-la a Ele. E o que acontece quando existem duas setas apontando para direções opostas? Continue lendo: logo você descobrirá o que isto significa.

Os Cabalistas também se referem ao Criador como “o Desejo de Doar,” e à criatura como “o desejo de receber deleite e prazer” ou simplesmente “o desejo de receber.” Nós falaremos sobre nossa percepção do Criador mais à frente, mas o que é importante neste ponto é que os Cabalistas sempre nos dizem o que eles percebem. Eles não nos dizem que o Criador tem um desejo de doar; eles nos dizem que o que eles vêem do Criador é que Ele tem um desejo de doar, e é por isso que eles O chamaram de “o Desejo de Doar.” Por terem eles descoberto neles mesmos um desejo de receber o prazer que Ele quer doar, eles chamaram a si próprios de, “o desejo de receber.”
Assim o desejo de receber é a primeira Criação, a raiz de cada criatura. Quando a Criação, o desejo de receber, sente que o prazer vem de um doador, ela percebe que o verdadeiro prazer está no doar, e não no receber. Como resultado, o desejo de receber começa a querer doar (note a seta para cima se estendendo do segundo Kli – o vaso na figura). Esta é uma fase completamente nova – Fase Dois.
Vamos examinar o que faz desta uma nova fase. Se olharmos para o Kli em si, nós vemos que ele não muda através das fases. Isto significa que o desejo de receber está tão ativo quanto estava antes. Por ter sido o desejo de receber projetado no Pensamento da Criação, ele é eterno e nunca pode ser mudado.
Contudo, na Fase Dois o desejo de receber quer receber prazer de doar, não de receber, e esta é uma mudança fundamental. A grande diferença é que a Fase Dois precisa de um outro para quem possa doar. Em outras palavras, a Fase Dois tem de se relacionar positivamente a alguém ou a algo mais além de si própria.
A Fase Dois, que nos obriga a doar a despeito de nosso desejo de receber essencial, é que faz a vida possível. Sem ela, os pais não se importariam com seus filhos e a vida social seria impossível. Por exemplo, se eu sou dono de um restaurante, meu desejo é ganhar dinheiro, mas o inevitável é que estou alimentando estranhos pelos quais eu não tenho interesses de longo prazo. O mesmo é verdadeiro para banqueiros, motoristas de táxi (mesmo em Nova Iorque), e muitos outros.
Agora podemos ver porque a lei da Natureza é o altruísmo e a doação, e não a lei do receber, mesmo que o desejo de receber esteja na base da motivação de cada criatura, assim como na Fase Um. A partir do momento em que a Criação obteve tanto um desejo de receber como um desejo de doar, tudo o que acontecerá a ela virá do “relacionamento” entre essas duas fases.
Como acabamos de mostrar, o desejo de doar na Fase Dois a obriga a se comunicar, a buscar alguém que precise receber. Assim, a Fase Dois agora começa a examinar o que ela pode doar ao Criador. Afinal, para quem mais ela poderia doar?
Mas quando a Fase Dois de fato tenta doar, ela descobre que tudo o que o Criador quer é doar. Ele absolutamente não tem desejo de receber. Além do mais, o que a criatura pode doar ao Criador?
Além disso, a Fase Dois descobre que em sua essência, na Fase Um, seu verdadeiro desejo é receber. Ela descobre que sua raiz é essencialmente um desejo de receber deleite e prazer, e não há sequer um grama de desejo de doar genuíno dentro dela. Mas, e aqui está o xis da questão, porque o Criador quer apenas doar, o desejo de receber da criatura é precisamente o
que ela pode doar ao Criador.
Isto pode parecer confuso, mas se você pensar no prazer que uma mãe obtém ao alimentar seu bebê, você compreenderá que o bebê está na verdade doando prazer à sua mãe simplesmente por querer comer.
Portanto, na Fase Três, o desejo de receber escolhe receber, e assim fazendo devolve à Fase Raiz, ao Criador. Agora temos um círculo completo onde ambos os participantes são doadores: a Fase Zero, o Criador, doa à criatura, que é a Fase Um, e a criatura, tendo passado pelas Fases Um, Dois, e Três, devolve ao Criador ao receber Dele.
Na Figura 1, a seta para baixo na Fase Três indica que sua ação é a recepção, como na Fase Um, mas a seta para cima indica que sua intenção é doar, como na Fase Dois. E novamente, ambas ações usam o mesmo desejo de receber como nas Fases Um e Dois; isto não muda de jeito nenhum.
Como vimos anteriormente, nossas intenções egoístas são os motivos de todos os problemas que estamos vendo nesse mundo. Aqui, também, na raiz da Criação, a intenção é muito mais importante que a ação em si. De fato, Yehuda Ashlag metaforicamente disse que a Fase Três é dez por cento receptora, e noventa por cento doadora.
Agora parece que temos um ciclo perfeito onde o Criador conseguiu fazer a criatura idêntica a Si Próprio – um doador.
Além disso, a criatura se delicia em doar, assim retornando o prazer ao Criador. Mas isto completa o Pensamento da Criação?
Não exatamente. O ato de recepção (na Fase Um) e o entendimento que o único desejo do Criador é doar (na Fase Dois) faz que a criatura queira estar na mesma situação, que é a Fase Três. Mas tornar-se um doador não significa que a criatura estará na mesma situação, assim completando o Pensamento da Criação.
Estar na situação do Criador significa que a criatura não apenas se tornará um doador, mas terá o mesmo pensamento que o Doador – o Pensamento da Criação. Em tal situação, a criatura iria entender porque o ciclo Criador criatura foi iniciado, como também porque o Criador formou a Criação.
Claramente, o desejo de entender o Pensamento da Criação é uma fase completamente nova. A única coisa à qual podemos comparar é a um filho que quer ser tão forte e sábio como seus pais. Nós instintivamente sabemos que isto é possível apenas quando o filho realmente calça os calçados de seu pai ou de sua mãe. É por isso que os pais quase sempre dizem a seus filhos, “Espere até você ter seus próprios filhos; daí você vai entender.”

                Um dos termos mais comuns na Cabalá é o termo Sefirot. A palavra vem da palavra Hebraica, Sapir (safira) e cada Sefira (singular de Sefirot) tem sua própria Luz. Também, cada uma das quatro fases é chamada pelo nome de uma ou mais Sefira. A Fase Zero é chamada Keter, a Fase Um, Hochma, a Fase Dois, Bina, a Fase Três, Zeir Anpin, e a Fase Quatro, Malchut.
Na verdade, existem dez Sefirot porque Zeir Anpin é composto de seis Sefirot: Hesed, Gevura, Tifferet, Netzah, Hod, e Yesod. Portanto, o conjunto completo de Sefirot é Keter, Hochma, Bina, Hesed, Gevura, Tifferet, Netzah, Hod, Yesod, e Malchut.



Na Cabalá, o entendimento do Pensamento da Criação – o mais profundo nível de entendimento – é chamado de “compreensão” (Nota do Tradutor: da palavra inglesa attainment que pode significar apreensão, obtenção, atingir, captar, absorver algo). É isso que o desejo de receber anseia na última fase – Fase Quatro. O desejo de adquirir o Pensamento da Criação é a força mais poderosa na Criação. Ele está por trás de todo o processo de evolução. Estejamos nós cônscios disto ou não, o conhecimento máximo que buscamos é o entendimento do porquê o Criador faz o que faz. É o mesmo impulso que pressionou os Cabalistas a descobrirem os segredos da Criação a milhares de anos atrás. Até entendermos isso, não teremos paz em nossas mentes.

domingo, 27 de julho de 2014

A ORIGEM DA CRIAÇÃO - OS MUNDOS ESPIRITUAIS

CAPITULO III

A ORIGEM DA CRIAÇÃO
Agora que constatamos que hoje existe uma real necessidade de se estudar Cabalá, é hora de aprender algo básico desta sabedoria. Ainda que o escopo deste livro não permita um estudo minucioso dos Mundos Superiores, ao final deste capítulo você terá uma suficiente base sólida para continuar, se desejar estudar a Cabalá a fundo.
Uma palavrinha sobre as figuras: os livros de Cabalá são, e sempre foram, cheios de figuras. As figuras ajudam a descrever os estados ou estruturas espirituais. Desde o princípio, os Cabalistas têm usado figuras como ferramentas para explicar o que eles experimentam no decorrer de seu caminho espiritual. Contudo, é bastante importante lembrar que as figuras não representam objetos tangíveis. Elas são apenas imagens usadas para explicar os estados espirituais, que têm a ver com o mais íntimo relacionamento de alguém com o Criador, com a Natureza.

OS MUNDOS ESPIRITUAIS
A Criação é feita inteiramente de um desejo de receber prazer.
Este desejo se desenvolveu em quatro fases, das quais a última é chamada de “criatura”. Essa estrutura padrão da evolução dos desejos é a base para tudo o que existe.
A Figura 1 descreve a criação da criatura. Se tratarmos a criação como uma história, ela nos ajudará a lembrar que as figuras descrevem estados emocionais, espirituais, e não lugares ou objetos.
Antes de qualquer coisa ser criada, ela tem de ser pensada, planejada. Neste caso, estamos falando sobre a Criação e o pensamento que fez a Criação acontecer. Nós o chamamos de “o Pensamento da Criação.”
No primeiro capítulo, nós dissemos que no passado, o temor que as pessoas tinham pela Natureza as impulsionou a procurar pelo plano dela para elas e para todos nós. Em suas observações, elas descobriram que o plano da Natureza é que nós recebamos prazer. E não apenas qualquer prazer, como aqueles que podemos sentir neste mundo. A Natureza (sobre a qual dissemos que podemos trocar pelo termo, “Criador”) quer que nós recebamos um tipo de prazer muito especial – o prazer de nos tornarmos idênticos a Ela Própria, ao Criador.
Então se você observar a Figura 1, você verá que o Pensamento da Criação é na realidade um desejo de doar prazer (chamado “Luz”) às criaturas. Isto é também a raiz da Criação, onde todos nós começamos.
Os Cabalistas usam o termo Kli (vaso, receptáculo) para descrever o desejo de receber prazer, de receber a Luz. Agora podemos ver porque eles chamaram sua sabedoria de “a sabedoria da Cabalá” (a sabedoria da recepção).
Existe também uma boa razão pela qual eles chamaram o prazer de “Luz.” Quando o Kli – uma criatura, uma pessoa – sente o Criador, esta é uma experiência de grande sabedoria que começa a se manifestar em uma pessoa, como se algo clareasse em mim, e agora eu vejo a Luz. Quando isto acontece conosco, compreendemos que não importa qual sabedoria tenha se manifestado, ela sempre esteve lá, mesmo oculta aos nossos olhos. É como se a escuridão da noite tivesse se transformado em luz do dia e o invisível feito visível. E porque esta Luz traz conhecimento com ela, os Cabalistas a chamam de “Luz da Sabedoria,” e o método para recebela é “a sabedoria da Cabalá.”

OBS.: Imagem obtida do livro "A Cabala Revelada" posteriormente
disponibilizaremos uma melhor imagem de ilustração