domingo, 28 de maio de 2017

CONHEÇA SEUS LIMITES - AS RÉDEAS DA VIDA - MUDANDO A SOCIEDADE PARA MUDAR A MIM MESMO

3-CONHEÇA SEUS LIMITES

Uma Antiga Oração Senhor, dê-me força para mudar o que eu posso mudar, coragem para aceitar o que eu não posso mudar, e sabedoria para discernir entre eles.
A nosso ver, somos indivíduos únicos e de ação independente.
Este é um traço comum de todas as pessoas. Apenas pense nos séculos de batalhas pelos quais a humanidade passou, apenas para, no final, obter a liberdade pessoal limitada que temos hoje.
Mas nós não somos os únicos que sofremos quando nossa liberdade é tomada. Não há sequer uma criatura que possa ser capturada sem uma luta. É um traço natural, inerente, rejeitar qualquer forma de subjugação. Contudo, mesmo se entendermos que todas a criaturas merecem ser livres, isto não nos garantirá que entenderemos o que ser livre realmente significa ou se, e como, isto está conectado ao processo de correção do egoísmo humano.
Se nos perguntarmos honestamente sobre o significado da liberdade, é provável que descubramos que pouquíssimos de nossos pensamentos presentes sobre ela permanecerão firmes quando terminarmos de perguntar. Assim, antes de podermos
falar sobre liberdade, precisamos saber o que realmente significa ser livre.
Para vermos se entendemos a liberdade, precisamos olhar para dentro de nós mesmos para vermos se somos capazes de realizar no mínimo um ato livre e voluntário. Por nosso desejo de receber sempre crescer, somos sempre impelidos a buscar por maneiras de viver melhores e mais recompensadoras. Mas por estarmos presos numa corrida de ratos, não temos escolha nesta questão.
Por outro lado, se nosso desejo de receber é a causa de todo este problema, talvez exista uma maneira de controla-lo.
Se pudéssemos fazer assim, talvez poderíamos controlar a corrida inteira. De outra forma, sem este controle, o jogo pareceria estar perdido antes mesmo de ser jogado.
Mas se somos nós os perdedores, então quem é o vencedor? Com quem (ou o que) estamos competindo? Nós lidamos com nossa vida como se os eventos dependessem de
nossas decisões. Mas dependem mesmo? Não seria melhor desistirmos de mudar nossas vidas, e ao invés disso apenas seguirmos a correnteza?
Por um lado, acabamos de dizer que a Natureza rejeita qualquer subjugação. Mas por outro lado, a Natureza não nos mostra qual, se alguma de nossas ações é livre, e onde somos iludidos por um Mestre das Marionetes invisível em pensarmos que somos livres.
Além do mais, se a Natureza funciona de acordo com um Plano Mestre, poderiam ser estas perguntas e incertezas partes do esquema? Talvez exista uma razão ulterior que faz-nos sentirmos perdidos e confusos. Talvez a confusão e a desilusão sejam as maneiras do Mestre das Marionetes dizer para nós, “Ei! Dêem uma outra olhada em onde vocês estão indo, porque se vocês estão procurando por Mim, vocês estão procurando na direção errada.”
Poucos negarão que estamos, de fato, desorientados. Contudo, para determinarmos nossa direção, temos de saber onde começar a procurar. Isto pode nos economizar anos de esforços fúteis. A primeira coisa que queremos encontrar é onde temos escolha livre e independente, e onde não temos.
Logo que compreendermos isso, saberemos onde devemos concentrar nossos esforços.

3.1-AS RÉDEAS DA VIDA
A Natureza inteira obedece apenas uma lei: “A Lei do Prazer e da Dor.” Se a única substância da Criação é o desejo de receber prazer, então uma única regra de comportamento é necessária: atração ao prazer e rejeição à dor.
Nós humanos não somos exceção à regra. Nós seguimos um esquema pré-instalado que dita inteiramente cada movimento nosso: nós queremos receber o máximo, e trabalhar
o mínimo. E se possível, queremos tudo de graça! Assim então, em tudo que fazemos, mesmo quando não estamos conscientes disso, nós sempre tentamos escolher o prazer e evitar a dor.
Até quando parece que estamos nos sacrificando, estamos na verdade recebendo mais prazer do “sacrifício” do que de qualquer outra opção sobre a qual possamos pensar naquele momento. E a razão pela qual enganamos a nós mesmos pensando que temos motivações altruístas é que enganar a nós mesmos é mais divertido do que contarmos a verdade para nós mesmos. Assim como Agnes Replier afirmou, “Existem poucas nudezas tão censuráveis quanto a verdade nua.”
No Capítulo Três dissemos que a Fase Dois doa, mesmo sendo na verdade motivada pelo mesmo desejo de receber da Fase Um. Esta é a raiz de toda ação “altruísta” que “doamos” um para o outro.
Nós vemos como tudo que fazemos segue um “cálculo de rentabilidade.” Por exemplo, eu calculo o preço de um produto comparado com o benefício prospectivo de obtê-lo. Se eu considerar que o prazer (ou a falta de dor) de ter o produto será maior que o preço que eu preciso pagar, eu direi ao meu “negociador interno”: “Compre! Compre! Compre!” acendendo as luzes verdes por todo o luminoso do meu Wall Street mental.
Nós podemos mudar nossas prioridades, adotar diferentes valores de bem e mal, e até “treinarmos” a nós mesmos para nos tornarmos destemidos. Além disso, podemos fixar um objetivo tão importante diante de nossos olhos que qualquer dificuldade no caminho para alcança-lo tornar-se-á insignificante, imperceptível.
Se, por exemplo, eu desejar status social e bons lucros associados com ser um médico famoso, eu irei me esforçar, suar, e labutar por anos na escola médica e viver mais vários anos de noites sem dormir durante o estágio, esperando que isso irá eventualmente retribuir-me com fama e fortuna.
Às vezes o cálculo da dor imediata pelo lucro futuro é tão natural, que nós sequer notamos que estamos fazendo isso. Por exemplo, se eu ficasse terrivelmente doente e descobrisse que apenas uma cirurgia específica poderia salvar minha vida, eu iria alegremente fazer a operação. Porque mesmo que a operação em si precise ser bastante desagradável e possa apresentar vários riscos próprios, ela não é tão ameaçadora quanto minha enfermidade. Em alguns casos eu até pagaria somas consideráveis para me colocar nessa provação.

3.1-MUDANDO A SOCIEDADE PARA MUDAR A MIM MESMO

A Natureza não apenas nos “condena” a uma constante fuga do sofrimento, e a uma contínua busca pelo prazer, ela também negou-nos a habilidade de determinarmos o tipo de prazer que desejamos. Em outras palavras, nós não podemos controlar o que queremos, e os desejos surgem do nada dentro de nós sem prévio aviso e sem perguntar a nossa opinião sobre o assunto.
Porém, a Natureza não apenas criou nossos desejos, ela também proveu-nos com um jeito de controla-los. Se lembrarmos que somos todos partes da mesma alma, aquela de
Adam ha Rishon, será fácil para nós entendermos que o jeito de controlarmos nossos desejos é afetando a alma inteira, ou seja, a humanidade, ou ao menos uma parte dela.
Vejamos isso desta forma: Se uma única célula quisesse ir para a esquerda, mas o resto do corpo quisesse ir para a direita, a célula teria de ir para a direita, também. Assim seria, a não ser que ela convencesse o corpo inteiro, ou a maioria esmagadora das células, ou o “governo” do corpo de que seria melhor ir para a esquerda.
Assim, mesmo que não possamos controlar os nossos próprios desejos, a sociedade pode e os controla. E porque podemos definir nossa opção de sociedade, podemos definir o tipo de sociedade que nos afetará da maneira que pensamos ser a melhor. Explicando em poucas palavras, podemos usar as influências sociais para controlarmos nossos próprios desejos. E ao controlarmos nossos desejos, controlaremos nossos pensamentos e finalmente, nossas ações.
O Livro do Zohar, acerca de dois mil anos atrás, já tinha descrito a importância da sociedade. Mas desde o século XX, quando se tornou óbvio que somos dependentes uns dos outros para a sobrevivência, a utilização eficaz de nossa dependência social tornou-se vital para o progresso espiritual. A suprema importância da sociedade é uma mensagem que o Cabalista Yehuda Ashlag torna clara em vários de seus ensaios, e se
seguirmos sua linha de pensamento entenderemos porque.
Ashlag diz que o maior desejo de cada um, admita ele ou não, é ser querido pelos outros e obter sua aprovação. Isto não apenas nos dá um senso de confiança, mas afirma nossa
possessão mais preciosa – nosso ego. Sem a aprovação da sociedade, sentimos que nossa própria existência é ignorada, e nenhum ego pode tolerar a rejeição. É por isso que as pessoas freqüentemente chegam a extremos para ganharem a atenção dos outros.
E porque nosso maior desejo é obter a aprovação da sociedade, somos compelidos a nos adaptar a (e adotar) as leis de nosso ambiente. Estas leis determinam não apenas nosso
comportamento, mas definem nossa atitude e caráter com relação a tudo que fazemos e pensamos.
Esta situação nos faz incapazes de escolhermos coisa alguma – seja a maneira que vivemos, ou nossos interesses, ou como aproveitamos nosso tempo livre, ou até a comida que comemos e as roupas que vestimos. Além disso, mesmo quando escolhemos nos vestir de forma contrária à moda ou independente dela, nós continuamos (tentando ser) indiferentes a um determinado código social que escolhemos ignorar. Em outras palavras, se a moda que escolhemos ignorar não tivesse
existido, nós não teríamos a ignorado e teríamos provavelmente escolhido um código de vestuário diferente.
Enfim, a única maneira de mudarmos a nós mesmos é mudando as normas sociais de nosso ambiente. 

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sábado, 18 de março de 2017

O (ESTREITO) CAMINHO PARA A LIBERDADE - A ESCURIDÃO QUE ANTECEDE A ALVORADA - UM ADMIRÁVEL MUNDO NOVO EM QUATRO PASSOS

1-O (ESTREITO) CAMINHO PARA A LIBERDADE

Isto pode te surpreender, mas você já conhece um bocado sobre a Cabalá. Volte algumas páginas e façamos uma revisão. Você sabe que a Cabalá se originou acerca de 5.000 anos atrás na Mesopotâmia (onde hoje é o Iraque). Ela foi descoberta enquanto as pessoas procuravam pelo propósito de suas vidas.
Aquelas pessoas descobriram que a razão pela qual todos nós nascemos é receber o prazer máximo de nos tornarmos como o Criador. Quando eles descobriram isso, eles formaram grupos de estudo e começaram a difundir os ensinamentos.
Aqueles primeiros Cabalistas nos contaram que somos todos feitos de um desejo de receber prazer, o qual dividiram em cinco níveis – inanimado, vegetativo, animal, falante, e espiritual. O desejo de receber é bastante importante porque é o mecanismo por trás de tudo que fazemos neste mundo. Em outras palavras, nós estamos sempre tentando receber prazer, e quanto mais temos, mais queremos. Como resultado, sempre
evoluímos e mudamos.
Depois, aprendemos que a Criação foi formada em um processo de quatro fases, no qual a Raiz (sinônima da Luz e do Criador) criou o desejo de receber; o desejo de receber quis doar, então decidiu receber como uma maneira de doar, e finalmente quis receber mais uma vez. Mas desta vez ele quis receber o conhecimento de como ser o Criador, o Doador.
Após as quatro fases, o desejo de receber foi dividido em cinco mundos e uma alma, chamada de Adam ha Rishon. Adam ha Rishon quebrou-se e materializou-se em nosso mundo. Em outras palavras, todos nós somos na verdade uma alma, nós somos conectados e dependentes uns dos outros assim como células em um corpo. Mas quando o desejo de receber cresceu, nos tornamos mais centrados em nós mesmos e paramos de
sentir que éramos um. Ao invés disso, hoje sentimos apenas a nós mesmos, e mesmo se nos relacionamos com os outros isso é feito para recebermos prazer através deles.
Esse estado egoísta é chamado de “a alma quebrada de Adam ha Rishon”, e como partes desta alma, é nossa a tarefa de corrigi-la. Na verdade, nós não temos de corrigi-la, mas temos de estar cônscios de que não podemos sentir o real prazer em nosso estado presente por causa da lei do desejo de receber:
“Quando eu obtenho o que quero, eu já não mais o quero.” Quando compreendermos isso, começaremos a procurar por uma maneira de sairmos da armadilha desta lei, da armadilha do egoísmo.
A procura pela libertação do ego conduz ao surgimento do “ponto no coração,” o desejo pela espiritualidade. O “ponto no coração” é como qualquer outro desejo; ele é aumentado e diminuído através da influência do ambiente. Assim, se quisermos aumentar nosso desejo pela espiritualidade, precisamos desenvolver um ambiente que promova a espiritualidade. Este último (mas, o mais importante) capítulo em nosso livro explicará o que é preciso ser feito para termos um ambiente que favorece a espiritualidade nos níveis pessoal, social, e internacional.

2-A ESCURIDÃO QUE ANTECEDE A ALVORADA

O período mais escuro da noite é logo antes da alvorada. Similarmente, os escritores do Livro do Zohar disseram, acerca de 2.000 anos atrás, que o período mais escuro da humanidade viria logo antes de seu despertar espiritual. Por séculos, começando com o Ari, autor de Árvore da Vida, que viveu no século XVI, os Cabalistas têm escrito que o período ao qual o Zohar estava se referindo é o fim do século XX. Eles o chamaram de “a última geração.”
Eles não pretendiam dizer com isso que iríamos perecer em algum evento apocalíptico espetacular. Na Cabalá, uma geração representa um estado espiritual. A última geração é o último e mais elevado estado que pode ser alcançado. E os Cabalistas disseram que o período em que estamos vivendo – o início do século XXI – seria quando veríamos a geração da ascensão espiritual.
Mas estes Cabalistas também disseram que para esta mudança ocorrer, não podemos continuar a nos desenvolver da maneira que temos evoluído até agora. Eles disseram que hoje, uma escolha livre e consciente é necessária se quisermos crescer.
Assim como é com qualquer começo ou nascimento, o surgimento da última geração, a geração da escolha livre, não é um processo fácil. Até recentemente, evoluíamos em nossos desejos inferiores – do inanimado ao falante – deixando de lado o nível espiritual. Mas agora os Reshimot espirituais (ou genes espirituais, se preferir) estão emergindo em milhões de pessoas, e exigem ser realizados na vida real.
Quando estes Reshimot aparecem pela primeira vez em nós, ainda não possuímos o método apropriado para lidarmos com eles. Eles são como uma tecnologia completamente nova com a qual ainda precisamos aprender a lidar. Assim, enquanto
aprendemos, tentamos realizar os novos tipos de Reshimot com nossas maneiras antigas de pensar, porque aquelas maneiras nos ajudaram a realizar nossos Reshimot de níveis inferiores.
Mas aquelas maneiras são inadequadas para administrarmos os novos tipos de Reshimot, e portanto falham em sua tarefa, fazendo-nos viver vazios e frustrados.
Quando estes Reshimot emergem em um indivíduo, vem a frustração, daí a depressão, até que ele ou ela aprenda como se relacionar com estes novos desejos. Isto normalmente acontece ao aplicar-se à sabedoria da Cabalá, que foi desenvolvida originalmente para lidar com os Reshimot espirituais, como descrevemos no Capítulo Um.
Se, contudo, uma pessoa não puder encontrar a solução, o indivíduo poderá mergulhar na necessidade exagerada pelo trabalho, em vícios de todos os tipos, e em outros esforços para suprimir o problema dos novos desejos, tentando evitar enfrentar a dor incurável.
No nível pessoal, tal estado é bastante desolador mas não apresenta um problema sério o suficiente para desequilibrar a estrutura social. No entanto, quando os Reshimot espirituais aparecem em milhões e milhões de pessoas mais ou menos ao mesmo tempo, e particularmente se isso acontece em vários países simultaneamente, você tem uma crise global em suas mãos. E uma crise global clama por uma solução global.
Claramente, a humanidade hoje está em uma crise global. A depressão tem se elevado a índices sem precedentes nos Estados Unidos, mas as coisas não andam melhores em outros países desenvolvidos. Em 2001, a Organização Mundial da Saúde (OMS) relatou que “a depressão é a principal causa de invalidez nos EUA e no mundo inteiro.”
Outro imenso problema na sociedade moderna é a alarmante abundância do mau uso de drogas. Não que as drogas não estiveram sempre em uso, mas no passado elas eram usadas principalmente na medicina e em rituais, enquanto hoje elas estão sendo utilizadas em faixas etárias cada vez menores, principalmente para aliviar o vazio emocional que muitos jovens sentem. E porque a depressão tem aumentado, assim também aumentou o uso de drogas e os crimes relacionados ao uso de drogas.
Outra faceta da crise está na unidade da família. A família costumava ser uma instituição usada como símbolo da estabilidade, do conforto, e da proteção, mas não é mais. De acordo com o National Center for Health Statistics, em cada dois casais que se unem matrimonialmente, um se divorcia, e a situação é similar por todo o mundo Ocidental.
Além disso, não é mais preciso uma situação na qual os casais passam por uma imensa crise ou por um conflito de personalidades para decidirem se divorciar. Hoje, até mesmo, casais em seus 50, 60 anos, não podem encontrar motivos para permanecerem juntos assim que seus filhos saem de casa. Por suas rendas estarem garantidas, eles não têm medo de começar um novo capítulo em suas vidas, em idades que há apenas poucos anos atrás eram consideradas inaceitáveis para tais decisões. Nós até arrumamos um nome inteligente para isso: a “síndrome do ninho vazio.” Mas a verdade é que as pessoas se divorciam porque já que seus filhos saíram de casa, não há nada mais para manter os pais juntos, pois simplesmente não há amor entre eles.
E este é o verdadeiro vazio: a falta de amor. Se nos lembrarmos que fomos todos criados egoístas por uma força que quer doar, teremos uma chance de lutar. Ao menos assim saberemos onde começar a procurar por uma solução.
Mas a crise é exclusiva não apenas em sua universalidade, mas em sua versatilidade, que a faz muito mais abrangente e difícil de controlar. A crise está ocorrendo em praticamente todos os campos do envolvimento humano – pessoal, social, internacional, na ciência, medicina, e no clima. Por exemplo, até uns poucos anos atrás, “o clima” era um conveniente refúgio onde ninguém tinha nada a contribuir com relação a outros
tópicos. Hoje, no entanto, é exigido de todos nós que sejamos entendidos sobre o clima. Os temas “da moda” atualmente são as mudanças climáticas, o aquecimento global, as subidas de maré, e o início da nova temporada de furacões.
“The Big Thaw” (“O Grande Degelo”) é o nome dado ironicamente por Geoffrey Lean do The Independent ao estado do planeta em um artigo on-line publicado em 20 de Novembro de 2005. Eis aqui o título do artigo de Lean: “The Big Thaw: Global Disaster Will Follow If the Ice Cap on Greenland Melts” (algo como: “O Grande Degelo: Um Desastre Global Ocorrerá Se a Calota Glacial da Groenlândia Derreter”). E o subtítulo,
“Now scientists say it is vanishing far faster than even they expected” (Algo como: “Agora os cientistas dizem que ela está desaparecendo de maneira muito mais rápida do que até eles esperavam”).
E o clima não é o único desastre a espreita no horizonte. A edição de 22 de Junho de 2006 da revista Nature, publicou um estudo da Universidade da Califórnia declarando que a Falha de San Andréas está à espera do “big one.” De acordo com Yuri Fialko do Scripps Institution of Oceanography da Universidade da Califórnia, “a falha é uma significante ameaça sísmica e está em condições para um outro grande terremoto.”
E claro, se sobrevivermos às tempestades, aos terremotos, e às subidas de maré, haverá sempre um Bin Laden por aí para nos lembrar que nossas vidas podem se tornar muito mais breves do que planejávamos.
E por último mas não com menos importância, existem os problemas da saúde que requerem nossa atenção: AIDS, gripe aviária, vaca louca, e é claro, as antigas constantes: câncer, doenças cardiovasculares, e diabetes. Existem muitas mais que
podemos citar aqui, mas você agora já deve ter entendido onde eu queria chegar. Mesmo que alguns desses problemas de saúde não sejam novos, eles são mencionados aqui porque estão rapidamente se espalhando por todo o globo.
Conclusão: Um antigo provérbio Chinês diz que quando você desejar amaldiçoar alguém, diga, “Que você viva em épocas interessantes.” Nossa época é de fato bastante
interessante; mas isto não é uma maldição. É como o Livro do Zohar prometeu – a escuridão que antecede a alvorada. Agora, vejamos se há uma solução.


2.1-UM ADMIRÁVEL MUNDO NOVO EM QUATRO PASSOS

São necessários apenas quatro passos para mudar o mundo:
1. Reconhecer a crise;
2. Descobrir porque ela existe;
3. Determinar a melhor solução;
4. Desenvolver um plano para resolver a crise.
Vamos examina-los um de cada vez.
1. Reconhecendo a crise.
Existem diversas razões pela quais muitos de nós permanecemos não notando que existe uma crise. Os governos e as corporações internacionais deveriam ser os primeiros a
cuidarem do problema, mas, interesses conflitantes os previnem de cooperar para lidarem com a crise eficientemente.
Além do que, muitos de nós ainda não sentimos que o problema está nos ameaçando de maneira pessoal, e assim então suprimimos a necessidade urgente de lidarmos com ele,
antes do ocorrente tornar-se muito desagradável.
O maior problema é que não nos lembramos de um estado tão precário no passado. Por causa disso, somos incapazes de avaliar nossa situação corretamente. Isto não é dizer que catástrofes nunca aconteceram antes, mas nossa época é exclusiva no sentido de que hoje está acontecendo em todos os aspectos, instantaneamente – em todo aspecto da vida humana, e por todo o planeta.
2. Descobrindo porque ela existe.
Uma crise ocorre quando existe uma colisão entre dois elementos, e o elemento superior força seu domínio sobre o inferior. A natureza humana, o egoísmo, está descobrindo quão oposta ela é à Natureza, ao altruísmo. É por isso que tantas pessoas sentem-se angustiadas, deprimidas, inseguras e frustradas.
Em síntese, a crise não está realmente ocorrendo no exterior. Mesmo que certamente pareça ocupar um espaço físico, ela está acontecendo dentro de nós. A crise é a luta
titânica entre o bem (o altruísmo) e o mal (o egoísmo). Quão triste é termos de atuar como os vilões no verdadeiro reality show. Mas não perca as esperanças – como acontece em todos os shows, um final feliz nos espera.
3. Determinando a melhor solução.
Quanto mais reconhecermos a causa essencial da crise, ou seja, nosso egoísmo, mais entenderemos o que precisa ser mudado em nós e em nossas sociedades. Ao fazermos assim, poderemos diminuir a intensidade da crise e trazer a sociedade e a ecologia a um resultado positivo e construtivo. Falaremos mais sobre essas mudanças quando explorarmos a idéia da liberdade de escolha.
4. Desenvolvendo um plano para resolver a crise.
Uma vez que tivermos concluído os primeiros três estágios do plano, poderemos esboça-lo em maiores detalhes.
Mas, mesmo o melhor plano não pode obter sucesso sem o suporte ativo de importantes organizações, reconhecidas internacionalmente. Portanto, o plano precisa ter uma ampla
base de apoio internacional, de cientistas, pensadores, políticos, das Nações Unidas, como também da mídia e de organizações sociais.
Na verdade, porque crescemos de um nível de desejo para o próximo, tudo o que está acontecendo agora está acontecendo pela primeira vez no nível espiritual do desejo.
Mas se nos lembrarmos que estamos nesse nível, podemos usar o conhecimento daqueles que já se conectaram com a espiritualidade da mesma maneira que usamos nosso atual conhecimento científico.
Os Cabalistas, que já se dirigiram para os mundos espirituais, a raiz de nosso mundo, vêem os Reshimot (a raiz espiritual) causando esse estado, e podem nos guiar para fora
dos problemas que estamos enfrentando, a partir da origem de tais problemas no mundo espiritual. Desta maneira resolveremos a crise facilmente e rapidamente pois saberemos
porque as coisas acontecem e o que precisa ser feito com relação a elas. Pense nisso desta maneira: Se você soubesse que existem pessoas que podem predizer os resultados da loteria de amanhã, não iria você querer que elas ficassem ao seu lado enquanto fosse fazer suas apostas?
Não existe mágica aqui, apenas conhecimento das regras do jogo no mundo espiritual. Através dos olhos de um Cabalista, não estamos em crise, estamos apenas um pouco
desorientados, e por isso continuamos apostando nos números errados. Quando encontrarmos nossa direção, resolver a crise (não-existente) será moleza. E assim estaremos ganhando na loteria. E a beleza do conhecimento Cabalístico está no fato dele
não ter direitos autorais; ele pertence a todos.

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domingo, 12 de fevereiro de 2017

O PENSAMENTO DA CRIAÇÃO - RESHIMOT – DE VOLTA PARA O FUTURO

3.6-O PENSAMENTO DA CRIAÇÃO

Os Kelim são os blocos construtores da alma. Os desejos são os materiais de construção, os tijolos e a madeira; e nossas intenções são nossas ferramentas, nossas chaves de fenda, brocas, e martelos.

Mas, assim como ao construir uma casa, precisamos ler o projeto antes de podermos começar o trabalho. Infelizmente, o Criador, o Arquiteto do projeto, é relutante em dá-lo para nós.

Ao invés disso, ele quer que nós estudemos e executemos o Plano Mestre de nossas almas independentemente. Apenas deste jeito podemos em algum momento entender Seu Pensamento e nos tornarmos como Ele.

Para aprendermos quem Ele é, precisamos observar de maneira atenciosa o que Ele faz e aprendermos a entende-Lo através de Suas ações. Os Cabalistas expressam isso de maneira bastante concisa: “Por Seus feitos, Te conhecemos.”

Nossos desejos, as matérias-primas de nossas almas, já existem. Ele os deu para nós, e nós apenas temos de aprender como usa-los corretamente e como colocar as intenções certas sobre eles. Daí, nossas almas serão corrigidas.

Mas assim como dissemos anteriormente, as intenções certas são intenções altruístas. Em outras palavras, precisamos querer que nossos desejos sejam usados para beneficiar os outros, e não a nós mesmos. Ao fazermos assim, nós estaremos na verdade beneficiando a nós mesmos, pois somos todos as partes da alma de Adam ha Rishon. Gostemos ou não, o dano que causamos aos outros retorna para nós, assim como um
bumerangue retorna para aquele que o arremessa, e com a mesma força.

Vamos recapitular por uns instantes. Um Kli corrigido é um desejo utilizado com intenções altruístas. E de forma contrária, um Kli corrompido é um desejo utilizado com
intenções egoístas. Ao usarmos um Kli altruisticamente, utilizamos um desejo da mesma maneira em que o Criador opera, e então nos igualamos a Ele, pelo menos com relação àquele desejo específico. É assim que estudamos Seu Pensamento.

Então o único problema é mudar as intenções com as quais usamos nossos desejos. Mas para que isto aconteça, precisamos ver no mínimo uma outra maneira de usar nossos
desejos. Precisamos de um exemplo que mostre como as outras intenções são ou com o que se parecem. Desta maneira, poderemos no mínimo decidir se queremos isto ou não.
Enquanto não vemos outra maneira de usar nossos desejos, estamos presos naqueles que já temos. Nesse estado, como podemos encontrar outras intenções? Isto é uma armadilha ou nos falta alguma coisa?

Os Cabalistas explicam que não nos falta nada. Isto é uma armadilha, mas não é o fim. Se seguirmos o caminho de nossos Reshimot, um exemplo de outra intenção aparecerá por conta própria. Agora vejamos o que são os Reshimot, e como eles nos ajudam a sair da armadilha.



3.7-RESHIMOT – DE VOLTA PARA O FUTURO

Os Reshimot – falando por alto – são registros, recordações de estados passados. Cada Reshimo (singular de Reshimot) que uma alma experimenta no decorrer de seu caminho espiritual é armazenado em um “banco de dados” especial.

Quando queremos subir a escada espiritual, nossa trilha é composta destes Reshimot. Eles emergem um por um, e nós os revivemos. Quanto mais rápido re-experimentamos cada Reshimo, mais rápido o exaurimos e nos movemos para o próximo na seqüência, que está sempre mais alto na escada.

Nós não podemos mudar a ordem dos Reshimot. Isto já foi determinado durante nossa descida. Mas podemos e devemos determinar o que iremos fazer com cada Reshimo. Se formos passivos e simplesmente esperarmos eles passarem, levará bastante tempo para que os experimentemos completamente, e antes disto acontecer eles podem nos causar imensa dor. É por isso que a abordagem passiva é chamada de “o caminho da dor.”

Por outro lado, podemos assumir uma abordagem ativa, ao tentarmos nos relacionar com cada Reshimo como “mais um dia na escola,” tentando ver o que o Criador está tentando ensinar a nós. Se nós simplesmente nos lembrarmos que este mundo é resultado das ocorrências espirituais, isto será o suficiente para acelerarmos tremendamente a mudança dos Reshimot. Esta abordagem ativa é chamada de “o caminho da Luz,” porque nossos esforços nos conectam ao Criador, à Luz, ao invés de ao estado presente, como é com a atitude passiva.

Na verdade, nossos esforços não têm de prosperar; o esforço em si é o suficiente. Ao aumentarmos nossos desejos de ser como o Criador (altruístas), vinculamos nós mesmos a estados elevados, mais espirituais.

O processo de progressão espiritual é bastante similar à maneira em que as crianças aprendem; é basicamente um processo de imitação. Ao imitarem os adultos, mesmo não
sabendo o que estão fazendo, as crianças, com sua mímica constante, criam dentro delas o desejo de aprender.

Nota: Não é o que elas sabem que promove o crescimento delas; é o simples fato delas quererem saber. O desejo de saber é o suficiente para evocar nelas o próximo Reshimo, aquele no qual elas já sabem.

Vejamos isso de um outro ângulo: Inicialmente, o fato delas quererem saber não ocorreu porque foi uma escolha delas, mas porque o Reshimo presente se exauriu, fazendo com
que o próximo Reshimo na fila “quisesse” se fazer conhecido. Portanto, para a criança descobri-lo, o Reshimo teve de evocar na criança um desejo de conhece-lo.

É exatamente dessa maneira que os Reshimot espirituais funcionam em nós. Nós não estamos realmente aprendendo nada novo neste mundo ou no mundo espiritual; nós estamos simplesmente ascendendo de volta para o futuro.

Se quisermos ser mais doadores, como o Criador, nós precisamos constantemente examinar a nós mesmos e vermos se nos encaixamos na descrição do que consideramos espiritual (altruísta). Desta maneira, nosso desejo de sermos mais altruístas, nos ajudará a desenvolvermos uma percepção mais precisa e detalhada de nós mesmos comparados ao Criador.

Se não quisermos ser egoístas, nossos desejos evocarão os Reshimot que nos mostrarão o que significa ser mais altruísta. Toda vez que decidimos que não queremos usar este ou aquele desejo egoisticamente, é considerado que o Reshimo daquele estado completou sua tarefa, e ele sai para dar lugar ao próximo. Esta é a única correção que precisamos fazer. O Cabalista Yehuda Ashlag expressa este princípio nestas palavras: “...ao se odiar o mal [egoísmo] de fato ele é corrigido.”

E então ele explica: “...se duas pessoas vierem a compreender que cada uma odeia o que seu amigo odeia, e que ama o que e quem seu amigo ama, eles vêm a se aderir perpetuamente, como um marco que jamais irá cair. Assim, pelo Criador amar a doação, aqueles que estão abaixo Dele devem se adaptar a quererem apenas doar. O Criador odeia também ser um receptor, pois Ele é completamente perfeito e não precisa de nada. Assim, o homem, também precisa odiar a questão da recepção para si próprio. Conclui-se de tudo acima que é preciso odiar o desejo de receber amargamente, porque todas as ruínas no mundo vêm apenas do desejo de receber. Através do ódio a pessoa se corrige.”

Assim, por simplesmente querermos isso, evocamos os Reshimot de desejos mais altruístas, que já existem dentro de nós do tempo em que estávamos conectados na alma de Adam ha Rishon. Estes Reshimot nos corrigem e nos fazem mais parecidos com o nosso Criador. Portanto, o desejo (o Kli) é tanto o mecanismo da mudança, como dissemos no Capítulo Um, quanto o meio para a correção. Não precisamos suprimir
nossos desejos, precisamos apenas aprender como trabalhar com eles produtivamente para nós mesmos e para todos os outros.



4-RESUMINDO

Para percebermos corretamente, precisamos nos cercar com três limites:
1. Existem quatro categorias de Percepção: a) a Matéria; b) a Forma na Matéria; c) a Forma Abstrata; e d) a Essência. Nós percebemos apenas as duas primeiras.
2. Toda a minha percepção ocorre dentro de minha alma. Minha alma é o meu mundo e o mundo fora de mim é tão abstrato que eu não posso sequer dizer com certeza se ele existe ou não.
3. O que eu percebo é apenas meu; eu não posso passa-lo para ninguém mais. Eu posso contar aos outros sobre minha experiência, mas quando eles a experimentarem, eles certamente a experimentarão em sua própria maneira.
Quando eu percebo alguma coisa, eu a meço e determino o que ela é de acordo com as qualidades dos instrumentos de medição que eu tenho dentro de mim. Se meus instrumentos estiverem defeituosos, assim estará minha medição; conseqüentemente, minha imagem do mundo será distorcida e incompleta.
Atualmente, estamos medindo o mundo com cinco sentidos. Mas precisamos de seis sentidos para medi-lo corretamente. É por isso que somos incapazes de conduzir o
nosso mundo produtiva e prazerosamente para todos.
Na realidade, o sexto sentido não é um sentido físico, mas uma intenção. Ele está relacionado a como utilizamos nossos desejos. Se usarmos eles com a intenção de doar ao invés de com a de receber, ou seja, se usarmos eles de forma altruísta ao invés de egoisticamente, perceberemos um mundo completamente novo. É por isso que a nova intenção é chamada de “o sexto sentido.”
A colocação da intenção altruísta sobre nossos desejos os faz similares àqueles do Criador. Esta similaridade é chamada de “equivalência de forma” com o Criador. A posse dela garante ao seu possuidor a mesma percepção e conhecimento do Criador. É por isso que apenas com o sexto sentido (a intenção de doar) é possível realmente saber como nos conduzirmos neste mundo.
Quando um novo desejo surge, ele na verdade não é novo. Ele é um desejo que já esteve em nós, do qual a memória foi registrada no banco de dados de nossas almas – os Reshimot.
A corrente de Reshimot segue diretamente ao topo da escada – o Pensamento da Criação – e quanto mais rápido a subimos, mais velozmente e prazerosamente alcançaremos nosso destino.
Os Reshimot surgem um por um, num ritmo que determinamos pelo nosso desejo de ascender na espiritualidade, da qual eles se originam. Quando tentamos aprender de cada Reshimo e entende-lo, ele é exaurido mais velozmente e o estado de entendimento dele (que já existe) aparece. Quando entendemos um Reshimo, o próximo Reshimo
na fila emerge, até que finalmente todos os Reshimot tenham sido realizados e estudados, e tenhamos alcançado o fim de nossa correção.

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domingo, 15 de janeiro de 2017

A PERCEPÇÃO DA REALIDADE

CAPITULO V

3-A PERCEPÇÃO DA REALIDADE

Muitos termos são usados para descrever o entendimento. Para os Cabalistas, o nível mais profundo de entendimento é chamado de “compreensão” (Nota do Tradutor: da palavra inglesa attainment que pode significar apreensão, obtenção, atingir, captar, absorver algo). Por estarem estudando os mundos espirituais, o objetivo deles é alcançar a “compreensão espiritual.” A compreensão se refere a um tão profundo e detalhado entendimento do que é percebido que não resta nenhuma pergunta sobre o mesmo. Os Cabalistas escrevem que ao fim da evolução da humanidade, todos iremos compreender
o Criador em um estado chamado de “Equivalência de Forma.”

Para alcançar este objetivo, os Cabalistas cuidadosamente definiram quais partes da realidade devemos estudar, e quais não devemos. Para determinar estas duas trilhas, os Cabalistas seguiram um princípio bastante simples: Se algo nos ajuda a aprender de forma mais rápida e precisa, devemos estuda-lo. Se não ajuda, devemos ignora-lo.

Os Cabalistas em geral, e O Zohar em particular, nos advertem a estudarmos apenas as partes que podemos perceber com certeza absoluta. Em todo lugar em que as suposições
estejam envolvidas, não devemos desperdiçar nosso tempo, ou então nossa compreensão será questionável.

Os Cabalistas também dizem que das quatro categorias de percepção – Matéria, Forma na Matéria, Forma Abstrata, e Essência – podemos apenas perceber as duas primeiras com certeza. Por esta razão, tudo que O Zohar escreve é sobre os desejos (a Matéria) e como usa-los: ou para nós mesmos ou para o Criador.

O Cabalista Yehuda Ashlag escreve que, “Se o leitor não souber como ser prudente com os limites, e remover os assuntos do contexto, ele ou ela será imediatamente confundido.” Isto pode acontecer se não limitarmos nosso estudo à Matéria e a Forma na Matéria.

Nós precisamos entender que não existe algo tal como uma “proibição” na espiritualidade. Quando os Cabalistas declaram algo como “proibido,” significa que é impossível. Quando eles dizem que não devemos estudar a Forma Abstrata e a Essência, não significa que seremos atingidos por um raio se o fizermos; significa que não podemos estudar tais categorias mesmo que queiramos.

Yehuda Ashlag usa a eletricidade para explicar porque a Essência é imperceptível. Ele diz que podemos usar a eletricidade em várias maneiras diferentes: para aquecer, esfriar, ouvir música e assistir vídeos. A eletricidade pode vestir-se em várias Formas; mas podemos expressar a Essência da eletricidade em si?

Usemos um outro exemplo para explicarmos as quatro categorias – Matéria, Forma na Matéria, Forma Abstrata, e Essência. Quando dizemos que determinada pessoa é forte, nós estamos na verdade se referindo à Matéria daquela pessoa – o corpo – e à Forma que se reveste com sua Matéria – a força.

Se removermos a Forma da força da Matéria (o corpo da pessoa), e examinarmos a Forma da força separadamente, sem estar vestida pela Matéria, isto seria examinar a Forma Abstrata da força. A quarta categoria, a Essência da pessoa em si, é completamente incompreensível. Nós simplesmente não temos sentidos que possam “estudar” a Essência e retrata-la de forma perceptível. Por conseqüência, a Essência não apenas é algo que não conhecemos agora; nós nunca a conheceremos.

Por que é tão importante focar-se apenas nas duas primeiras categorias? O problema é que quando lidamos com espiritualidade, não sabemos quando estamos confusos. Assim
então, continuamos na mesma direção e somos levados cada vez para mais longe da verdade.

No mundo material, se eu sei o que eu quero, eu posso ver se estou obtendo-o ou não, ou se no mínimo estou na trilha certa, rumo a consegui-lo. Este não é o caso da espiritualidade. Lá, quando estou errado, eu não sou apenas negado do que queria, mas eu até perco meu estado espiritual presente, a Luz torna-se pouco visível, e me torno incapaz de redirecionar a mim mesmo corretamente sem a ajuda de um guia. É por isso
que é tão importante entender os três limites e obedece-los.


3.1-UMA REALIDADE INEXISTENTE

Agora que entendemos o que podemos estudar e o que não podemos, vejamos o que estamos de fato estudando com os nossos sentidos. A verdade sobre os Cabalistas é que
eles não deixam nenhuma pedra sem vira-la. Yehuda Ashlag, que investigou toda a realidade para que ele pudesse nos contar sobre ela, escreveu que nós não sabemos o que existe fora de nós mesmos. Por exemplo, não temos idéia daquilo que está do lado de fora de nossos ouvidos, que faz nosso tímpano responder. Tudo que conhecemos é nossa reação a um estímulo do exterior.

Até mesmo os nomes que associamos aos fenômenos não estão conectados aos fenômenos em si, mas à nossa reação a eles. Muito provavelmente, não estamos cientes de muitas coisas que acontecem em nosso mundo. Elas podem passar desapercebidas pelos nossos sentidos porque nos relacionamos apenas com os fenômenos que podemos perceber. Por esta razão, é completamente óbvio o porquê de não podermos perceber a Essência de qualquer coisa que esteja fora de nós; podemos apenas estudar nossas reações a ela.

Esta lei da percepção se aplica não apenas aos mundos espirituais; é a lei de toda a Natureza. Relacionar com a realidade desta maneira imediatamente nos faz entender que o que vemos não é o que realmente existe. Este entendimento é de tão grande importância quanto a obtenção do progresso espiritual.

Quando observamos nossa realidade, começamos a descobrir coisas que nunca percebemos. Nós interpretamos as coisas que ocorrem dentro de nós como se estivessem ocorrendo exteriormente. Nós não conhecemos as verdadeiras origens dos eventos que experimentamos, mas sentimos que estão acontecendo fora de nós. No entanto, não podemos ter certeza disso.

Para nos relacionarmos corretamente com a realidade, não devemos pensar que o que estamos percebendo é a imagem “real”. Tudo que estamos percebendo é como os eventos (as Formas) afetam nossa percepção (nossa Matéria). Além do mais, o que percebemos não é a imagem exterior e objetiva, mas nossa reação a ela. Nós não podemos sequer dizer se, e a que proporções, as Formas que percebemos estão conectadas às Formas Abstratas que associamos a elas. Em outras palavras, o fato de vermos uma maçã vermelha como vermelha não significa que ela seja de fato vermelha.

De fato, se você perguntar a físicos, eles dirão a você que a única verdadeira afirmação que você pode fazer sobre uma maçã vermelha é que ela não é vermelha. Se você se lembra de como o Masach (a Tela) trabalha, você sabe que ele recebe o que ele pode receber com o objetivo de doar ao Criador e rejeita o restante.

Similarmente, a cor de um objeto é determinada pelas ondas de luz que o objeto iluminado não pode absorver. Nós não estamos vendo a cor do objeto em si, mas a luz
que o objeto rejeitou. A cor real do objeto é a luz que ele absorveu; mas porque ele absorveu essa luz, ela não pode alcançar nosso olho, e nós por conseqüência não podemos vê-la. É por isso que a cor real da maçã vermelha é qualquer uma que não seja o vermelho.

Eis aqui como Ashlag, no Prefácio ao Livro do Zohar, se refere à nossa falta de percepção da Essência: “É conhecido que aquilo que não podemos sentir, nós também não podemos imaginar; e aquilo que não podemos perceber, nós não podemos imaginar, também. ... Portanto o pensamento não tem percepção alguma da Essência.”

Em outras palavras, por não podermos sentir uma Essência, qualquer Essência, nós também não podemos percebe-la. Mas o conceito que deixa a maioria dos estudantes
de Cabalá completamente perplexos a primeira vez que eles estudam o Prefácio de Ashlag é quão pouco nós realmente sabemos sobre nós mesmos. Eis o que Ashlag escreve acerca disso: “Além do mais, nós sequer conhecemos a nossa própria Essência. Eu percebo e sei que ocupo um certo espaço no mundo, que sou sólido, quente, e que eu penso, e sei de outras tais manifestações das operações de minha Essência. Contudo,
se você me perguntar o que é a minha própria Essência... Eu não saberei o que responder a você.”

3.1-UMA REALIDADE INEXISTENTE

Agora que entendemos o que podemos estudar e o que não podemos, vejamos o que estamos de fato estudando com os nossos sentidos. A verdade sobre os Cabalistas é que
eles não deixam nenhuma pedra sem vira-la. Yehuda Ashlag, que investigou toda a realidade para que ele pudesse nos contar sobre ela, escreveu que nós não sabemos o que existe fora de nós mesmos. Por exemplo, não temos idéia daquilo que está do lado de fora de nossos ouvidos, que faz nosso tímpano responder. Tudo que conhecemos é nossa reação a um estímulo do exterior.

Até mesmo os nomes que associamos aos fenômenos não estão conectados aos fenômenos em si, mas à nossa reação a eles. Muito provavelmente, não estamos cientes de muitas coisas que acontecem em nosso mundo. Elas podem passar desapercebidas pelos nossos sentidos porque nos relacionamos apenas com os fenômenos que podemos perceber. Por esta razão, é completamente óbvio o porquê de não podermos perceber a Essência de qualquer coisa que esteja fora de nós; podemos apenas estudar nossas reações a ela.

Esta lei da percepção se aplica não apenas aos mundos espirituais; é a lei de toda a Natureza. Relacionar com a realidade desta maneira imediatamente nos faz entender que o que vemos não é o que realmente existe. Este entendimento é de tão grande importância quanto a obtenção do progresso espiritual.

Quando observamos nossa realidade, começamos a descobrir coisas que nunca percebemos. Nós interpretamos as coisas que ocorrem dentro de nós como se estivessem ocorrendo exteriormente. Nós não conhecemos as verdadeiras origens dos eventos que experimentamos, mas sentimos que estão acontecendo fora de nós. No entanto, não podemos ter certeza disso.

Para nos relacionarmos corretamente com a realidade, não devemos pensar que o que estamos percebendo é a imagem “real”. Tudo que estamos percebendo é como os eventos (as Formas) afetam nossa percepção (nossa Matéria). Além do mais, o que percebemos não é a imagem exterior e objetiva, mas nossa reação a ela. Nós não podemos sequer dizer se, e a que proporções, as Formas que percebemos estão conectadas às Formas Abstratas que associamos a elas. Em outras palavras, o fato de vermos uma maçã vermelha como vermelha não significa que ela seja de fato vermelha.

De fato, se você perguntar a físicos, eles dirão a você que a única verdadeira afirmação que você pode fazer sobre uma maçã vermelha é que ela não é vermelha. Se você se lembra de como o Masach (a Tela) trabalha, você sabe que ele recebe o que ele pode receber com o objetivo de doar ao Criador e rejeita o restante.

Similarmente, a cor de um objeto é determinada pelas ondas de luz que o objeto iluminado não pode absorver. Nós não estamos vendo a cor do objeto em si, mas a luz
que o objeto rejeitou. A cor real do objeto é a luz que ele absorveu; mas porque ele absorveu essa luz, ela não pode alcançar nosso olho, e nós por conseqüência não podemos vê-la. É por isso que a cor real da maçã vermelha é qualquer uma que não seja o vermelho.

Eis aqui como Ashlag, no Prefácio ao Livro do Zohar, se refere à nossa falta de percepção da Essência: “É conhecido que aquilo que não podemos sentir, nós também não podemos imaginar; e aquilo que não podemos perceber, nós não podemos imaginar, também. ... Portanto o pensamento não tem percepção alguma da Essência.”

Em outras palavras, por não podermos sentir uma Essência, qualquer Essência, nós também não podemos percebe-la. Mas o conceito que deixa a maioria dos estudantes
de Cabalá completamente perplexos a primeira vez que eles estudam o Prefácio de Ashlag é quão pouco nós realmente sabemos sobre nós mesmos. Eis o que Ashlag escreve acerca disso: “Além do mais, nós sequer conhecemos a nossa própria Essência. Eu percebo e sei que ocupo um certo espaço no mundo, que sou sólido, quente, e que eu penso, e sei de outras tais manifestações das operações de minha Essência. Contudo,
se você me perguntar o que é a minha própria Essência... Eu não saberei o que responder a você.”


3.2-O MECANISMO DE MEDIÇÃO



Olhemos para o nosso problema de percepção de um outro ângulo, de um ângulo mais mecânico. Nossos sentidos são instrumentos de medição. Eles medem tudo que percebem. Quando ouvimos um som, determinamos se ele é alto ou baixo; quando vemos um objeto, nós podemos (habitualmente) dizer qual é a cor dele; e quando tocamos algo, nós imediatamente sabemos se é quente ou frio, úmido ou seco.

Todas ferramentas de medição operam de forma similar. Pense numa balança com um peso de um quilo nela. O mecanismo de pesagem tradicional é feito de uma mola que
estica de acordo com o peso, e de uma escala que mede a tensão da mola. Logo que a mola para de se esticar e repousa em um determinado ponto, os números na escala indicam o peso. Na verdade, não medimos o peso, mas o equilíbrio entre a mola e o peso (Figura 6).

Este é o porquê do Cabalista Ashlag dizer que nós não podemos
perceber a Forma Abstrata, o objeto em si, porque nós não temos absolutamente nenhuma conexão com ele. Se pudermos colocar uma mola nele para medir o impacto externo, obteremos algum resultado. Mas se não pudermos medir o que
está acontecendo do lado de fora, é como se nada estivesse acontecendo. Além do mais, se colocarmos uma mola defeituosa para medir um estímulo externo, nós obteremos o resultado incorreto. Isto é o que acontece quando envelhecemos e nossos sentidos se deterioram.

Em termos espirituais, o mundo exterior apresenta a Forma Abstrata para nós, assim como o peso. Usando a mola e a escala – o desejo de receber e a intenção de doar – medimos quanto da Forma Abstrata podemos receber. Se pudéssemos construir um instrumento de medição que “medisse” o Criador, poderíamos senti-Lo assim como sentimos nosso mundo. Bem, tal instrumento de medição existe; ele é chamado de “o sexto sentido.”


3.4-O SEXTO SENTIDO

Vamos começar esta seção com uma pequena fantasia: Estamos em um lugar escuro, um completo vazio. Nós não podemos ver nada, não podemos ouvir som algum, não há cheiros nem sabores, e não há nada em que possamos tocar à nossa volta. Agora imagine ficar neste estado por um período tão longo que você até esquece que já teve sentidos que podiam sentir tais coisas. Conseqüentemente, você também esquece que tais sensações podiam existir.

De repente, surge uma ligeira fragrância. Ela fica mais forte e te envolve, mas você não pode detectar sua origem. Então, mais cheiros surgem, alguns fortes, alguns fracos, alguns doces, e alguns desagradáveis. Usando-os, você agora pode encontrar sua direção no mundo. Fragrâncias diferentes vêm de diferentes lugares, e você pode começar a encontrar sua direção ao segui-las.

Daí, sem prévio aviso, sons surgem de todas as direções. Os sons são todos diferentes, alguns como música, alguns como palavras, e alguns apenas ruídos. Mas os sons proveem orientação adicional naquele lugar.

Agora você pode medir distâncias, direções; você pode adivinhar de onde vêm os cheiros e os sons que você está recebendo. Este apenas não é mais um espaço no qual você está; é um mundo completo de sons e aromas.

Após algum tempo, uma nova revelação é feita quando alguma coisa esbarra em você. Pouco depois, você descobre mais coisas em que você pode tocar. Algumas são frias,
algumas são quentes, algumas são secas, e algumas são úmidas. Algumas são duras e algumas são macias; algumas, você não é capaz de decidir o que são. Você descobre que você pode pôr alguns dos objetos que você está tocando em sua boca, e que eles têm sabores distintos.

Neste meio tempo você está vivendo em um mundo abundante de sons, cheiros, e sabores. Você pode tocar os objetos em nosso mundo, e você pode estudar o seu ambiente.

Este é o mundo do cego de nascença. Se você estivesse no lugar dele, você sentiria que precisa do sentido da visão? Em algum momento você saberia que você não o tem? Nunca. A não ser que você já o tivesse antes.

O mesmo é verdade para o sexto sentido. Nós não nos lembramos de já o termos possuído, embora todos nós já o tivéssemos antes da quebra de Adam ha Rishon, do qual todos nós somos partes.

O sexto sentido opera de forma muito similar aos cinco sentidos naturais, com a única diferença sendo que o sexto sentido não é dado pela natureza, nós temos que desenvolve-lo. De fato, o nome “sexto sentido” é um tanto enganoso, porque nós não estamos realmente desenvolvendo um outro sentido; nós estamos desenvolvendo uma intenção.

Enquanto desenvolvemos esta intenção, estudamos as Formas do Criador, as Formas de doação, opostas à nossa composição egoísta original. É por isso que o sexto sentido não
é dado a nós pela Natureza; ele é oposto a nós.

A construção da intenção sobre cada desejo que sentimos, é o que nos faz conscientes de quem somos, de quem o Criador é, e de se queremos ou não ser como Ele. Apenas se temos duas opções diante de nós podemos fazer uma escolha verdadeira.

Portanto, o Criador não nos obriga a sermos como Ele – altruístas – mas mostra-nos quem somos, quem Ele é, e nos dá a oportunidade de fazer nossa livre escolha. Logo que fazemos nossa escolha, nos tornamos as pessoas que pretendemos ser: semelhantes ao Criador, ou não.

Por que, então, chamamos a intenção de doar de “o sexto sentido”? Porque ao possuirmos a mesma intenção que o Criador, nos tornamos semelhantes ao Criador. Isto significa que nós não apenas temos a mesma intenção, mas porque desenvolvemos a equivalência de forma com Ele, nós vemos e percebemos coisas que não iríamos e nem poderíamos perceber caso contrário. Nós na verdade começamos a ver através de Seus olhos.

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sábado, 8 de outubro de 2016

DE QUEM A REALIDADE É A REALIDADE

CAPITULO V

1-DE QUEM A REALIDADE É A REALIDADE

“Todos os mundos, superiores e inferiores, estão dentro de nós”
Yehuda Ashlag

De todos os conceitos inesperados encontrados na Cabalá, nenhum é tão surpreendente, e tão irracional, mas mesmo assim, tão profundo e fascinante quanto o conceito de realidade. Se não fosse por Einstein e pela Física Quântica, que revolucionaram a maneira de pensar sobre a realidade, as ideias apresentadas aqui teriam sido anuladas e ridicularizadas.

No capítulo anterior, dissemos que a evolução ocorre porque nosso desejo de receber prazer progride do nível Raiz ao Quarto nível. Mas se nossos desejos propeliram a evolução de nosso mundo, então, existe o mundo verdadeiramente fora de nós? Poderia ser que o mundo à nossa volta seja na verdade apenas um conto no qual desejamos acreditar?

Nós dissemos que a Criação começou do Pensamento da Criação, que criou as Quatro Fases Básicas da Luz. Estas fases incluem dez Sefirot: Keter (fase zero), Hochma (fase um), Bina (fase dois), Hesed, Gevura, Tifferet, Netzah, Hod, e Yesod (todas quais compreendem a fase três – Zeir Anpin), e Malchut (fase quatro).

O Livro do Zohar, o livro que todo Cabalista estuda, diz que toda a realidade consiste apenas de dez Sefirot. Tudo é feito de estruturas destas dez Sefirot. A única diferença entre elas é quão profundamente elas estão imersas em nossa substância – o desejo de receber.

Para entender o que os Cabalistas querem expressar quando dizem que “elas estão imersas em nossa substância,” pense numa forma, digamos uma bola pressionada contra um pedaço de plasticina ou um outro tipo de massa de modelar. A forma representa um grupo de dez Sefirot, e a massa representa a nós, ou nossas almas. Agora, mesmo se você pressionar a bola profundamente contra a massa, a bola em si não mudará. Mas quanto mais fundo a bola é imersa na massa, mais a massa é mudada por ela.

Como isto é percebido quando os elementos são um grupo de dez Sefirot e uma alma? Você alguma vez subitamente notou alguma coisa que sempre esteve à sua volta, só que agora um certo aspecto dela roubou sua atenção? Isto é similar à sensação das dez Sefirot afundando apenas um pouco mais no desejo de receber. Em termos simples, quando subitamente percebemos alguma coisa que não tínhamos percebido antes, é porque as dez Sefirot foram um pouco mais fundo em nós.

Os Cabalistas têm um nome para o desejo de receber – Aviut. Aviut na realidade significa espessura, e não desejo. Mas eles usam este termo porque quanto maior o desejo de receber, mais camadas são adicionadas a ele.

Como dissemos, o desejo de receber, a Aviut, consiste de graus básicos – 0, 1, 2, 3, 4. Conforme as dez Sefirot imergem mais fundo nos níveis (camadas) de Aviut, elas formam uma variedade de combinações, ou misturas do desejo de receber com o desejo de doar. Estas combinações criam tudo que existe: os mundos espirituais, os mundos corpóreos, e tudo que existe dentro deles.

As variações em nossa substância (desejo de receber) criam nossas ferramentas de percepção, chamadas de Kelim (plural de Kli). Em outras palavras, toda forma, cor, cheiro, pensamento – tudo que existe – está lá porque dentro mim existe um Kli apropriado para percebe-lo.

Assim como nossos cérebros usam as letras do alfabeto para estudarem o que este mundo tem a oferecer, nossos Kelim usam as dez Sefirot para estudarem o que os mundos espirituais têm a oferecer. E assim como estudamos este mundo sob certas
leis e restrições, para estudarmos os mundos espirituais precisamos conhecer as leis que definem aqueles mundos.

Quando estudamos alguma coisa no mundo físico, precisamos seguir determinadas leis. Por exemplo, para alguma coisa ser considerada verdadeira, ela necessita ser testada
empiricamente. Se os testes mostrarem que ela funciona, ela é considerada correta, até que alguém mostre – em testes, não em palavras – que ela não funciona. Antes de alguma coisa ser testada, ela não passa de uma teoria.

Os mundos espirituais têm limites também – três limites, para ser exato. Se pretendemos alcançar o propósito da Criação e nos tornarmos como o Criador, precisamos nos ater a estes limites.


2-TRÊS LIMITES NA APRENDIZAGEM DA CABALÁ


2.1-PRIMEIRO LIMITE – O QUE PERCEBEMOS

Em seu Prefácio ao Livro do Zohar, o Cabalista Yehuda Ashlag escreve que existem “quatro categorias de percepção – a Matéria, a Forma na Matéria, a Forma Abstrata, e a Essência.” Quando examinamos a Natureza espiritual, é nossa tarefa decidir quais destas categorias nos provêem com informação sólida e confiável, e quais não.

O Zohar opta por explicar apenas as duas primeiras. Em outras palavras, cada palavra nele é escrita ou da perspectiva da Matéria ou da Forma na Matéria, e nele não há nenhuma palavra sequer da perspectiva da Forma Abstrata ou da Essência.


2.2-SEGUNDO LIMITE – ONDE PERCEBEMOS

Como dissemos antes, a substância dos mundos espirituais é chamada de “a alma de Adam ha Rishon.” É assim que os mundos espirituais foram criados. Contudo, nós já passamos pela criação destes mundos, e estamos no nosso caminho de subida aos níveis superiores, mesmo que nem sempre pareça que é assim.

Em nosso estado, a alma de Adão já se partiu em pedaços. O Zohar ensina que a vasta maioria dos pedaços, 99 por cento para ser exato, foi espalhada pelos mundos de Beria, Yetzira, e Assiya (BYA), e o um por cento restante subiu para Atzilut.
Pelo fato da alma de Adão formar o conteúdo dos mundos BYA e por ter sido espalhada por estes mundos, e por todos nós sermos partes daquela alma, claramente todas as
coisas que percebemos podem ser partes apenas destes mundos. Tudo o que percebemos vindo de mundos superiores a BYA, como Aztliut e Adam Kadmon, é impreciso por essa razão, quer pareça assim para nós, quer não. Tudo o que podemos perceber dos mundos de Atzilut e Adam Kadmon são seus reflexos, ao serem vistos através dos filtros dos mundos de BYA.

Nosso mundo está no degrau mais baixo dos mundos de BYA. De fato, este degrau é completamente oposto em natureza ao restante dos mundos espirituais, e é este o porquê de nós não os sentirmos. É como se duas pessoas estivessem de costas uma para a outra e caminhando para direções opostas. Quais as chances de alguma vez encontrarem uma a outra?

Mas quando corrigimos a nós mesmos, descobrimos que já estamos vivendo dentro dos mundos de BYA. No final, até mesmo, ascenderemos com eles para Atzilut e para Adam Kadmon.


2.3-O TERCEIRO LIMITE – QUEM PERCEBE

Mesmo O Zohar adentrando em grandes detalhes sobre o conteúdo de cada mundo e do que acontece lá, como se houvesse um local físico onde as coisas ocorrem, ele está na
verdade se referindo apenas às experiências das almas. Em outras palavras, ele se refere a como os Cabalistas percebem as coisas, e nos conta de tal forma, que nós também, possamos experimenta-las. Então, quando estamos lendo no Zohar sobre eventos nos mundos de BYA, nós estamos na verdade aprendendo sobre como Rabi Shimon Bar-Yochai (autor do Livro do Zohar) percebeu os estados espirituais, pela narrativa de seu filho, Rabi Abba.

Assim também, quando os Cabalistas escrevem sobre os mundos acima de BYA, eles não estão na verdade escrevendo sobre aqueles mundos especificamente, mas sobre como os escritores perceberam aqueles mundos enquanto estavam nos mundos de BYA. E porque os Cabalistas escrevem sobre suas experiências pessoais, existem similaridades e diferenças em escritos Cabalísticos. Parte do que eles escrevem se refere à estrutura geral dos mundos, como os nomes das Sefirot e dos mundos. Outras coisas se referem a experiências pessoais que eles tiveram nesses mundos.

Por exemplo, se conto a um amigo sobre minha viagem à Nova Iorque, eu posso falar sobre a Times Square ou sobre as grandes pontes que conectam Manhattan ao continente. Mas também posso falar sobre quão minúsculo me senti ao dirigir pela grandiosa Brooklyn Bridge, e como é ficar no meio da Times Square, engolido pelo deslumbrante show de luzes, cores, e sons, e pela sensação de total anonimato. A diferença entre os primeiros dois exemplos e os dois últimos é que na última dupla eu estou relatando minhas experiências pessoais, e nos dois primeiros exemplos, estou falando das impressões que cada pessoa experimentará quando for a Manhattan, embora cada uma as experimentará diferentemente.

Quando falamos sobre o Primeiro Limite, dissemos que O Zohar fala apenas das perspectivas da Matéria e da Forma na Matéria. Dissemos que a Matéria é o desejo de receber, e a Forma na Matéria é a intenção pela qual o desejo de receber de fato recebe – ou para mim ou para os outros. Em termos mais simples: Matéria – desejo de receber; Forma = intenção.

É imperativo lembrar que O Zohar não deve ser tratado como um relato de eventos místicos ou uma coleção de contos. O Zohar, como todos os outros livros de Cabalá, deve ser usado como uma ferramenta de aprendizado. Isto significa que o livro irá ajuda-lo apenas se você, também, quiser experimentar o que ele descreve. De outra forma, o livro será de pouca utilidade para você, e você não o entenderá.

Lembre-se disso: O entendimento correto da escrituras Cabalísticas depende da sua intenção enquanto as lê, da razão pela qual você as abriu, e não do poder de seu intelecto. Apenas se você quiser ser transformado nas qualidades altruístas que o texto descreve, o texto afetará você.

A Forma da doação por si própria, é chamada de “o mundo de Atzilut.” A doação em sua Forma Abstrata é o atributo do Criador; é totalmente desconexa das criaturas, que
são receptoras por sua natureza. Contudo, as criaturas (pessoas) podem envolver o desejo de receber delas com a Forma da doação, para que se assemelhe à doação. Em outras palavras, podemos receber, e ao fazermos assim realmente nos tornamos doadores.

Existem duas razões pelas quais não podemos apenas doar:
1. Para doar, é preciso existir alguém que queira receber. Contudo, além de nós (as almas), há apenas o Criador, que não tem necessidade de receber nada, pois Sua natureza é doar. Conseqüentemente, a doação não é uma opção viável para nós.
2. Não temos desejos por isso. Não podemos doar porque somos feitos de um desejo de receber; a recepção é a nossa substância, nossa Matéria.

Ora, esta última razão é mais complexa do que pode parecer a princípio. Quando os Cabalistas escrevem que tudo que queremos é receber, eles não querem dizer que tudo que fazemos é receber, mas que esta é a motivação essencial por trás de tudo que fazemos. Eles expressam isto de forma bastante clara: Se algo não nos dá prazer, nós não podemos faze-lo. Não significa que não queremos; nós literalmente não podemos. Isto é assim porque o Criador (a Natureza) nos criou apenas com um desejo de receber, porque tudo o que Ele quer é doar. Daí então, não precisamos mudar nossas ações, mas apenas a motivação essencial por trás delas.

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