domingo, 12 de fevereiro de 2017

O PENSAMENTO DA CRIAÇÃO - RESHIMOT – DE VOLTA PARA O FUTURO

3.6-O PENSAMENTO DA CRIAÇÃO

Os Kelim são os blocos construtores da alma. Os desejos são os materiais de construção, os tijolos e a madeira; e nossas intenções são nossas ferramentas, nossas chaves de fenda, brocas, e martelos.

Mas, assim como ao construir uma casa, precisamos ler o projeto antes de podermos começar o trabalho. Infelizmente, o Criador, o Arquiteto do projeto, é relutante em dá-lo para nós.

Ao invés disso, ele quer que nós estudemos e executemos o Plano Mestre de nossas almas independentemente. Apenas deste jeito podemos em algum momento entender Seu Pensamento e nos tornarmos como Ele.

Para aprendermos quem Ele é, precisamos observar de maneira atenciosa o que Ele faz e aprendermos a entende-Lo através de Suas ações. Os Cabalistas expressam isso de maneira bastante concisa: “Por Seus feitos, Te conhecemos.”

Nossos desejos, as matérias-primas de nossas almas, já existem. Ele os deu para nós, e nós apenas temos de aprender como usa-los corretamente e como colocar as intenções certas sobre eles. Daí, nossas almas serão corrigidas.

Mas assim como dissemos anteriormente, as intenções certas são intenções altruístas. Em outras palavras, precisamos querer que nossos desejos sejam usados para beneficiar os outros, e não a nós mesmos. Ao fazermos assim, nós estaremos na verdade beneficiando a nós mesmos, pois somos todos as partes da alma de Adam ha Rishon. Gostemos ou não, o dano que causamos aos outros retorna para nós, assim como um
bumerangue retorna para aquele que o arremessa, e com a mesma força.

Vamos recapitular por uns instantes. Um Kli corrigido é um desejo utilizado com intenções altruístas. E de forma contrária, um Kli corrompido é um desejo utilizado com
intenções egoístas. Ao usarmos um Kli altruisticamente, utilizamos um desejo da mesma maneira em que o Criador opera, e então nos igualamos a Ele, pelo menos com relação àquele desejo específico. É assim que estudamos Seu Pensamento.

Então o único problema é mudar as intenções com as quais usamos nossos desejos. Mas para que isto aconteça, precisamos ver no mínimo uma outra maneira de usar nossos
desejos. Precisamos de um exemplo que mostre como as outras intenções são ou com o que se parecem. Desta maneira, poderemos no mínimo decidir se queremos isto ou não.
Enquanto não vemos outra maneira de usar nossos desejos, estamos presos naqueles que já temos. Nesse estado, como podemos encontrar outras intenções? Isto é uma armadilha ou nos falta alguma coisa?

Os Cabalistas explicam que não nos falta nada. Isto é uma armadilha, mas não é o fim. Se seguirmos o caminho de nossos Reshimot, um exemplo de outra intenção aparecerá por conta própria. Agora vejamos o que são os Reshimot, e como eles nos ajudam a sair da armadilha.



3.7-RESHIMOT – DE VOLTA PARA O FUTURO

Os Reshimot – falando por alto – são registros, recordações de estados passados. Cada Reshimo (singular de Reshimot) que uma alma experimenta no decorrer de seu caminho espiritual é armazenado em um “banco de dados” especial.

Quando queremos subir a escada espiritual, nossa trilha é composta destes Reshimot. Eles emergem um por um, e nós os revivemos. Quanto mais rápido re-experimentamos cada Reshimo, mais rápido o exaurimos e nos movemos para o próximo na seqüência, que está sempre mais alto na escada.

Nós não podemos mudar a ordem dos Reshimot. Isto já foi determinado durante nossa descida. Mas podemos e devemos determinar o que iremos fazer com cada Reshimo. Se formos passivos e simplesmente esperarmos eles passarem, levará bastante tempo para que os experimentemos completamente, e antes disto acontecer eles podem nos causar imensa dor. É por isso que a abordagem passiva é chamada de “o caminho da dor.”

Por outro lado, podemos assumir uma abordagem ativa, ao tentarmos nos relacionar com cada Reshimo como “mais um dia na escola,” tentando ver o que o Criador está tentando ensinar a nós. Se nós simplesmente nos lembrarmos que este mundo é resultado das ocorrências espirituais, isto será o suficiente para acelerarmos tremendamente a mudança dos Reshimot. Esta abordagem ativa é chamada de “o caminho da Luz,” porque nossos esforços nos conectam ao Criador, à Luz, ao invés de ao estado presente, como é com a atitude passiva.

Na verdade, nossos esforços não têm de prosperar; o esforço em si é o suficiente. Ao aumentarmos nossos desejos de ser como o Criador (altruístas), vinculamos nós mesmos a estados elevados, mais espirituais.

O processo de progressão espiritual é bastante similar à maneira em que as crianças aprendem; é basicamente um processo de imitação. Ao imitarem os adultos, mesmo não
sabendo o que estão fazendo, as crianças, com sua mímica constante, criam dentro delas o desejo de aprender.

Nota: Não é o que elas sabem que promove o crescimento delas; é o simples fato delas quererem saber. O desejo de saber é o suficiente para evocar nelas o próximo Reshimo, aquele no qual elas já sabem.

Vejamos isso de um outro ângulo: Inicialmente, o fato delas quererem saber não ocorreu porque foi uma escolha delas, mas porque o Reshimo presente se exauriu, fazendo com
que o próximo Reshimo na fila “quisesse” se fazer conhecido. Portanto, para a criança descobri-lo, o Reshimo teve de evocar na criança um desejo de conhece-lo.

É exatamente dessa maneira que os Reshimot espirituais funcionam em nós. Nós não estamos realmente aprendendo nada novo neste mundo ou no mundo espiritual; nós estamos simplesmente ascendendo de volta para o futuro.

Se quisermos ser mais doadores, como o Criador, nós precisamos constantemente examinar a nós mesmos e vermos se nos encaixamos na descrição do que consideramos espiritual (altruísta). Desta maneira, nosso desejo de sermos mais altruístas, nos ajudará a desenvolvermos uma percepção mais precisa e detalhada de nós mesmos comparados ao Criador.

Se não quisermos ser egoístas, nossos desejos evocarão os Reshimot que nos mostrarão o que significa ser mais altruísta. Toda vez que decidimos que não queremos usar este ou aquele desejo egoisticamente, é considerado que o Reshimo daquele estado completou sua tarefa, e ele sai para dar lugar ao próximo. Esta é a única correção que precisamos fazer. O Cabalista Yehuda Ashlag expressa este princípio nestas palavras: “...ao se odiar o mal [egoísmo] de fato ele é corrigido.”

E então ele explica: “...se duas pessoas vierem a compreender que cada uma odeia o que seu amigo odeia, e que ama o que e quem seu amigo ama, eles vêm a se aderir perpetuamente, como um marco que jamais irá cair. Assim, pelo Criador amar a doação, aqueles que estão abaixo Dele devem se adaptar a quererem apenas doar. O Criador odeia também ser um receptor, pois Ele é completamente perfeito e não precisa de nada. Assim, o homem, também precisa odiar a questão da recepção para si próprio. Conclui-se de tudo acima que é preciso odiar o desejo de receber amargamente, porque todas as ruínas no mundo vêm apenas do desejo de receber. Através do ódio a pessoa se corrige.”

Assim, por simplesmente querermos isso, evocamos os Reshimot de desejos mais altruístas, que já existem dentro de nós do tempo em que estávamos conectados na alma de Adam ha Rishon. Estes Reshimot nos corrigem e nos fazem mais parecidos com o nosso Criador. Portanto, o desejo (o Kli) é tanto o mecanismo da mudança, como dissemos no Capítulo Um, quanto o meio para a correção. Não precisamos suprimir
nossos desejos, precisamos apenas aprender como trabalhar com eles produtivamente para nós mesmos e para todos os outros.



4-RESUMINDO

Para percebermos corretamente, precisamos nos cercar com três limites:
1. Existem quatro categorias de Percepção: a) a Matéria; b) a Forma na Matéria; c) a Forma Abstrata; e d) a Essência. Nós percebemos apenas as duas primeiras.
2. Toda a minha percepção ocorre dentro de minha alma. Minha alma é o meu mundo e o mundo fora de mim é tão abstrato que eu não posso sequer dizer com certeza se ele existe ou não.
3. O que eu percebo é apenas meu; eu não posso passa-lo para ninguém mais. Eu posso contar aos outros sobre minha experiência, mas quando eles a experimentarem, eles certamente a experimentarão em sua própria maneira.
Quando eu percebo alguma coisa, eu a meço e determino o que ela é de acordo com as qualidades dos instrumentos de medição que eu tenho dentro de mim. Se meus instrumentos estiverem defeituosos, assim estará minha medição; conseqüentemente, minha imagem do mundo será distorcida e incompleta.
Atualmente, estamos medindo o mundo com cinco sentidos. Mas precisamos de seis sentidos para medi-lo corretamente. É por isso que somos incapazes de conduzir o
nosso mundo produtiva e prazerosamente para todos.
Na realidade, o sexto sentido não é um sentido físico, mas uma intenção. Ele está relacionado a como utilizamos nossos desejos. Se usarmos eles com a intenção de doar ao invés de com a de receber, ou seja, se usarmos eles de forma altruísta ao invés de egoisticamente, perceberemos um mundo completamente novo. É por isso que a nova intenção é chamada de “o sexto sentido.”
A colocação da intenção altruísta sobre nossos desejos os faz similares àqueles do Criador. Esta similaridade é chamada de “equivalência de forma” com o Criador. A posse dela garante ao seu possuidor a mesma percepção e conhecimento do Criador. É por isso que apenas com o sexto sentido (a intenção de doar) é possível realmente saber como nos conduzirmos neste mundo.
Quando um novo desejo surge, ele na verdade não é novo. Ele é um desejo que já esteve em nós, do qual a memória foi registrada no banco de dados de nossas almas – os Reshimot.
A corrente de Reshimot segue diretamente ao topo da escada – o Pensamento da Criação – e quanto mais rápido a subimos, mais velozmente e prazerosamente alcançaremos nosso destino.
Os Reshimot surgem um por um, num ritmo que determinamos pelo nosso desejo de ascender na espiritualidade, da qual eles se originam. Quando tentamos aprender de cada Reshimo e entende-lo, ele é exaurido mais velozmente e o estado de entendimento dele (que já existe) aparece. Quando entendemos um Reshimo, o próximo Reshimo
na fila emerge, até que finalmente todos os Reshimot tenham sido realizados e estudados, e tenhamos alcançado o fim de nossa correção.

http://projetoalquimia.wordpress.com/2012/03/13/kabalah/

domingo, 15 de janeiro de 2017

A PERCEPÇÃO DA REALIDADE

CAPITULO V

3-A PERCEPÇÃO DA REALIDADE

Muitos termos são usados para descrever o entendimento. Para os Cabalistas, o nível mais profundo de entendimento é chamado de “compreensão” (Nota do Tradutor: da palavra inglesa attainment que pode significar apreensão, obtenção, atingir, captar, absorver algo). Por estarem estudando os mundos espirituais, o objetivo deles é alcançar a “compreensão espiritual.” A compreensão se refere a um tão profundo e detalhado entendimento do que é percebido que não resta nenhuma pergunta sobre o mesmo. Os Cabalistas escrevem que ao fim da evolução da humanidade, todos iremos compreender
o Criador em um estado chamado de “Equivalência de Forma.”

Para alcançar este objetivo, os Cabalistas cuidadosamente definiram quais partes da realidade devemos estudar, e quais não devemos. Para determinar estas duas trilhas, os Cabalistas seguiram um princípio bastante simples: Se algo nos ajuda a aprender de forma mais rápida e precisa, devemos estuda-lo. Se não ajuda, devemos ignora-lo.

Os Cabalistas em geral, e O Zohar em particular, nos advertem a estudarmos apenas as partes que podemos perceber com certeza absoluta. Em todo lugar em que as suposições
estejam envolvidas, não devemos desperdiçar nosso tempo, ou então nossa compreensão será questionável.

Os Cabalistas também dizem que das quatro categorias de percepção – Matéria, Forma na Matéria, Forma Abstrata, e Essência – podemos apenas perceber as duas primeiras com certeza. Por esta razão, tudo que O Zohar escreve é sobre os desejos (a Matéria) e como usa-los: ou para nós mesmos ou para o Criador.

O Cabalista Yehuda Ashlag escreve que, “Se o leitor não souber como ser prudente com os limites, e remover os assuntos do contexto, ele ou ela será imediatamente confundido.” Isto pode acontecer se não limitarmos nosso estudo à Matéria e a Forma na Matéria.

Nós precisamos entender que não existe algo tal como uma “proibição” na espiritualidade. Quando os Cabalistas declaram algo como “proibido,” significa que é impossível. Quando eles dizem que não devemos estudar a Forma Abstrata e a Essência, não significa que seremos atingidos por um raio se o fizermos; significa que não podemos estudar tais categorias mesmo que queiramos.

Yehuda Ashlag usa a eletricidade para explicar porque a Essência é imperceptível. Ele diz que podemos usar a eletricidade em várias maneiras diferentes: para aquecer, esfriar, ouvir música e assistir vídeos. A eletricidade pode vestir-se em várias Formas; mas podemos expressar a Essência da eletricidade em si?

Usemos um outro exemplo para explicarmos as quatro categorias – Matéria, Forma na Matéria, Forma Abstrata, e Essência. Quando dizemos que determinada pessoa é forte, nós estamos na verdade se referindo à Matéria daquela pessoa – o corpo – e à Forma que se reveste com sua Matéria – a força.

Se removermos a Forma da força da Matéria (o corpo da pessoa), e examinarmos a Forma da força separadamente, sem estar vestida pela Matéria, isto seria examinar a Forma Abstrata da força. A quarta categoria, a Essência da pessoa em si, é completamente incompreensível. Nós simplesmente não temos sentidos que possam “estudar” a Essência e retrata-la de forma perceptível. Por conseqüência, a Essência não apenas é algo que não conhecemos agora; nós nunca a conheceremos.

Por que é tão importante focar-se apenas nas duas primeiras categorias? O problema é que quando lidamos com espiritualidade, não sabemos quando estamos confusos. Assim
então, continuamos na mesma direção e somos levados cada vez para mais longe da verdade.

No mundo material, se eu sei o que eu quero, eu posso ver se estou obtendo-o ou não, ou se no mínimo estou na trilha certa, rumo a consegui-lo. Este não é o caso da espiritualidade. Lá, quando estou errado, eu não sou apenas negado do que queria, mas eu até perco meu estado espiritual presente, a Luz torna-se pouco visível, e me torno incapaz de redirecionar a mim mesmo corretamente sem a ajuda de um guia. É por isso
que é tão importante entender os três limites e obedece-los.


3.1-UMA REALIDADE INEXISTENTE

Agora que entendemos o que podemos estudar e o que não podemos, vejamos o que estamos de fato estudando com os nossos sentidos. A verdade sobre os Cabalistas é que
eles não deixam nenhuma pedra sem vira-la. Yehuda Ashlag, que investigou toda a realidade para que ele pudesse nos contar sobre ela, escreveu que nós não sabemos o que existe fora de nós mesmos. Por exemplo, não temos idéia daquilo que está do lado de fora de nossos ouvidos, que faz nosso tímpano responder. Tudo que conhecemos é nossa reação a um estímulo do exterior.

Até mesmo os nomes que associamos aos fenômenos não estão conectados aos fenômenos em si, mas à nossa reação a eles. Muito provavelmente, não estamos cientes de muitas coisas que acontecem em nosso mundo. Elas podem passar desapercebidas pelos nossos sentidos porque nos relacionamos apenas com os fenômenos que podemos perceber. Por esta razão, é completamente óbvio o porquê de não podermos perceber a Essência de qualquer coisa que esteja fora de nós; podemos apenas estudar nossas reações a ela.

Esta lei da percepção se aplica não apenas aos mundos espirituais; é a lei de toda a Natureza. Relacionar com a realidade desta maneira imediatamente nos faz entender que o que vemos não é o que realmente existe. Este entendimento é de tão grande importância quanto a obtenção do progresso espiritual.

Quando observamos nossa realidade, começamos a descobrir coisas que nunca percebemos. Nós interpretamos as coisas que ocorrem dentro de nós como se estivessem ocorrendo exteriormente. Nós não conhecemos as verdadeiras origens dos eventos que experimentamos, mas sentimos que estão acontecendo fora de nós. No entanto, não podemos ter certeza disso.

Para nos relacionarmos corretamente com a realidade, não devemos pensar que o que estamos percebendo é a imagem “real”. Tudo que estamos percebendo é como os eventos (as Formas) afetam nossa percepção (nossa Matéria). Além do mais, o que percebemos não é a imagem exterior e objetiva, mas nossa reação a ela. Nós não podemos sequer dizer se, e a que proporções, as Formas que percebemos estão conectadas às Formas Abstratas que associamos a elas. Em outras palavras, o fato de vermos uma maçã vermelha como vermelha não significa que ela seja de fato vermelha.

De fato, se você perguntar a físicos, eles dirão a você que a única verdadeira afirmação que você pode fazer sobre uma maçã vermelha é que ela não é vermelha. Se você se lembra de como o Masach (a Tela) trabalha, você sabe que ele recebe o que ele pode receber com o objetivo de doar ao Criador e rejeita o restante.

Similarmente, a cor de um objeto é determinada pelas ondas de luz que o objeto iluminado não pode absorver. Nós não estamos vendo a cor do objeto em si, mas a luz
que o objeto rejeitou. A cor real do objeto é a luz que ele absorveu; mas porque ele absorveu essa luz, ela não pode alcançar nosso olho, e nós por conseqüência não podemos vê-la. É por isso que a cor real da maçã vermelha é qualquer uma que não seja o vermelho.

Eis aqui como Ashlag, no Prefácio ao Livro do Zohar, se refere à nossa falta de percepção da Essência: “É conhecido que aquilo que não podemos sentir, nós também não podemos imaginar; e aquilo que não podemos perceber, nós não podemos imaginar, também. ... Portanto o pensamento não tem percepção alguma da Essência.”

Em outras palavras, por não podermos sentir uma Essência, qualquer Essência, nós também não podemos percebe-la. Mas o conceito que deixa a maioria dos estudantes
de Cabalá completamente perplexos a primeira vez que eles estudam o Prefácio de Ashlag é quão pouco nós realmente sabemos sobre nós mesmos. Eis o que Ashlag escreve acerca disso: “Além do mais, nós sequer conhecemos a nossa própria Essência. Eu percebo e sei que ocupo um certo espaço no mundo, que sou sólido, quente, e que eu penso, e sei de outras tais manifestações das operações de minha Essência. Contudo,
se você me perguntar o que é a minha própria Essência... Eu não saberei o que responder a você.”

3.1-UMA REALIDADE INEXISTENTE

Agora que entendemos o que podemos estudar e o que não podemos, vejamos o que estamos de fato estudando com os nossos sentidos. A verdade sobre os Cabalistas é que
eles não deixam nenhuma pedra sem vira-la. Yehuda Ashlag, que investigou toda a realidade para que ele pudesse nos contar sobre ela, escreveu que nós não sabemos o que existe fora de nós mesmos. Por exemplo, não temos idéia daquilo que está do lado de fora de nossos ouvidos, que faz nosso tímpano responder. Tudo que conhecemos é nossa reação a um estímulo do exterior.

Até mesmo os nomes que associamos aos fenômenos não estão conectados aos fenômenos em si, mas à nossa reação a eles. Muito provavelmente, não estamos cientes de muitas coisas que acontecem em nosso mundo. Elas podem passar desapercebidas pelos nossos sentidos porque nos relacionamos apenas com os fenômenos que podemos perceber. Por esta razão, é completamente óbvio o porquê de não podermos perceber a Essência de qualquer coisa que esteja fora de nós; podemos apenas estudar nossas reações a ela.

Esta lei da percepção se aplica não apenas aos mundos espirituais; é a lei de toda a Natureza. Relacionar com a realidade desta maneira imediatamente nos faz entender que o que vemos não é o que realmente existe. Este entendimento é de tão grande importância quanto a obtenção do progresso espiritual.

Quando observamos nossa realidade, começamos a descobrir coisas que nunca percebemos. Nós interpretamos as coisas que ocorrem dentro de nós como se estivessem ocorrendo exteriormente. Nós não conhecemos as verdadeiras origens dos eventos que experimentamos, mas sentimos que estão acontecendo fora de nós. No entanto, não podemos ter certeza disso.

Para nos relacionarmos corretamente com a realidade, não devemos pensar que o que estamos percebendo é a imagem “real”. Tudo que estamos percebendo é como os eventos (as Formas) afetam nossa percepção (nossa Matéria). Além do mais, o que percebemos não é a imagem exterior e objetiva, mas nossa reação a ela. Nós não podemos sequer dizer se, e a que proporções, as Formas que percebemos estão conectadas às Formas Abstratas que associamos a elas. Em outras palavras, o fato de vermos uma maçã vermelha como vermelha não significa que ela seja de fato vermelha.

De fato, se você perguntar a físicos, eles dirão a você que a única verdadeira afirmação que você pode fazer sobre uma maçã vermelha é que ela não é vermelha. Se você se lembra de como o Masach (a Tela) trabalha, você sabe que ele recebe o que ele pode receber com o objetivo de doar ao Criador e rejeita o restante.

Similarmente, a cor de um objeto é determinada pelas ondas de luz que o objeto iluminado não pode absorver. Nós não estamos vendo a cor do objeto em si, mas a luz
que o objeto rejeitou. A cor real do objeto é a luz que ele absorveu; mas porque ele absorveu essa luz, ela não pode alcançar nosso olho, e nós por conseqüência não podemos vê-la. É por isso que a cor real da maçã vermelha é qualquer uma que não seja o vermelho.

Eis aqui como Ashlag, no Prefácio ao Livro do Zohar, se refere à nossa falta de percepção da Essência: “É conhecido que aquilo que não podemos sentir, nós também não podemos imaginar; e aquilo que não podemos perceber, nós não podemos imaginar, também. ... Portanto o pensamento não tem percepção alguma da Essência.”

Em outras palavras, por não podermos sentir uma Essência, qualquer Essência, nós também não podemos percebe-la. Mas o conceito que deixa a maioria dos estudantes
de Cabalá completamente perplexos a primeira vez que eles estudam o Prefácio de Ashlag é quão pouco nós realmente sabemos sobre nós mesmos. Eis o que Ashlag escreve acerca disso: “Além do mais, nós sequer conhecemos a nossa própria Essência. Eu percebo e sei que ocupo um certo espaço no mundo, que sou sólido, quente, e que eu penso, e sei de outras tais manifestações das operações de minha Essência. Contudo,
se você me perguntar o que é a minha própria Essência... Eu não saberei o que responder a você.”


3.2-O MECANISMO DE MEDIÇÃO



Olhemos para o nosso problema de percepção de um outro ângulo, de um ângulo mais mecânico. Nossos sentidos são instrumentos de medição. Eles medem tudo que percebem. Quando ouvimos um som, determinamos se ele é alto ou baixo; quando vemos um objeto, nós podemos (habitualmente) dizer qual é a cor dele; e quando tocamos algo, nós imediatamente sabemos se é quente ou frio, úmido ou seco.

Todas ferramentas de medição operam de forma similar. Pense numa balança com um peso de um quilo nela. O mecanismo de pesagem tradicional é feito de uma mola que
estica de acordo com o peso, e de uma escala que mede a tensão da mola. Logo que a mola para de se esticar e repousa em um determinado ponto, os números na escala indicam o peso. Na verdade, não medimos o peso, mas o equilíbrio entre a mola e o peso (Figura 6).

Este é o porquê do Cabalista Ashlag dizer que nós não podemos
perceber a Forma Abstrata, o objeto em si, porque nós não temos absolutamente nenhuma conexão com ele. Se pudermos colocar uma mola nele para medir o impacto externo, obteremos algum resultado. Mas se não pudermos medir o que
está acontecendo do lado de fora, é como se nada estivesse acontecendo. Além do mais, se colocarmos uma mola defeituosa para medir um estímulo externo, nós obteremos o resultado incorreto. Isto é o que acontece quando envelhecemos e nossos sentidos se deterioram.

Em termos espirituais, o mundo exterior apresenta a Forma Abstrata para nós, assim como o peso. Usando a mola e a escala – o desejo de receber e a intenção de doar – medimos quanto da Forma Abstrata podemos receber. Se pudéssemos construir um instrumento de medição que “medisse” o Criador, poderíamos senti-Lo assim como sentimos nosso mundo. Bem, tal instrumento de medição existe; ele é chamado de “o sexto sentido.”


3.4-O SEXTO SENTIDO

Vamos começar esta seção com uma pequena fantasia: Estamos em um lugar escuro, um completo vazio. Nós não podemos ver nada, não podemos ouvir som algum, não há cheiros nem sabores, e não há nada em que possamos tocar à nossa volta. Agora imagine ficar neste estado por um período tão longo que você até esquece que já teve sentidos que podiam sentir tais coisas. Conseqüentemente, você também esquece que tais sensações podiam existir.

De repente, surge uma ligeira fragrância. Ela fica mais forte e te envolve, mas você não pode detectar sua origem. Então, mais cheiros surgem, alguns fortes, alguns fracos, alguns doces, e alguns desagradáveis. Usando-os, você agora pode encontrar sua direção no mundo. Fragrâncias diferentes vêm de diferentes lugares, e você pode começar a encontrar sua direção ao segui-las.

Daí, sem prévio aviso, sons surgem de todas as direções. Os sons são todos diferentes, alguns como música, alguns como palavras, e alguns apenas ruídos. Mas os sons proveem orientação adicional naquele lugar.

Agora você pode medir distâncias, direções; você pode adivinhar de onde vêm os cheiros e os sons que você está recebendo. Este apenas não é mais um espaço no qual você está; é um mundo completo de sons e aromas.

Após algum tempo, uma nova revelação é feita quando alguma coisa esbarra em você. Pouco depois, você descobre mais coisas em que você pode tocar. Algumas são frias,
algumas são quentes, algumas são secas, e algumas são úmidas. Algumas são duras e algumas são macias; algumas, você não é capaz de decidir o que são. Você descobre que você pode pôr alguns dos objetos que você está tocando em sua boca, e que eles têm sabores distintos.

Neste meio tempo você está vivendo em um mundo abundante de sons, cheiros, e sabores. Você pode tocar os objetos em nosso mundo, e você pode estudar o seu ambiente.

Este é o mundo do cego de nascença. Se você estivesse no lugar dele, você sentiria que precisa do sentido da visão? Em algum momento você saberia que você não o tem? Nunca. A não ser que você já o tivesse antes.

O mesmo é verdade para o sexto sentido. Nós não nos lembramos de já o termos possuído, embora todos nós já o tivéssemos antes da quebra de Adam ha Rishon, do qual todos nós somos partes.

O sexto sentido opera de forma muito similar aos cinco sentidos naturais, com a única diferença sendo que o sexto sentido não é dado pela natureza, nós temos que desenvolve-lo. De fato, o nome “sexto sentido” é um tanto enganoso, porque nós não estamos realmente desenvolvendo um outro sentido; nós estamos desenvolvendo uma intenção.

Enquanto desenvolvemos esta intenção, estudamos as Formas do Criador, as Formas de doação, opostas à nossa composição egoísta original. É por isso que o sexto sentido não
é dado a nós pela Natureza; ele é oposto a nós.

A construção da intenção sobre cada desejo que sentimos, é o que nos faz conscientes de quem somos, de quem o Criador é, e de se queremos ou não ser como Ele. Apenas se temos duas opções diante de nós podemos fazer uma escolha verdadeira.

Portanto, o Criador não nos obriga a sermos como Ele – altruístas – mas mostra-nos quem somos, quem Ele é, e nos dá a oportunidade de fazer nossa livre escolha. Logo que fazemos nossa escolha, nos tornamos as pessoas que pretendemos ser: semelhantes ao Criador, ou não.

Por que, então, chamamos a intenção de doar de “o sexto sentido”? Porque ao possuirmos a mesma intenção que o Criador, nos tornamos semelhantes ao Criador. Isto significa que nós não apenas temos a mesma intenção, mas porque desenvolvemos a equivalência de forma com Ele, nós vemos e percebemos coisas que não iríamos e nem poderíamos perceber caso contrário. Nós na verdade começamos a ver através de Seus olhos.

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sábado, 8 de outubro de 2016

DE QUEM A REALIDADE É A REALIDADE

CAPITULO V

1-DE QUEM A REALIDADE É A REALIDADE

“Todos os mundos, superiores e inferiores, estão dentro de nós”
Yehuda Ashlag

De todos os conceitos inesperados encontrados na Cabalá, nenhum é tão surpreendente, e tão irracional, mas mesmo assim, tão profundo e fascinante quanto o conceito de realidade. Se não fosse por Einstein e pela Física Quântica, que revolucionaram a maneira de pensar sobre a realidade, as ideias apresentadas aqui teriam sido anuladas e ridicularizadas.

No capítulo anterior, dissemos que a evolução ocorre porque nosso desejo de receber prazer progride do nível Raiz ao Quarto nível. Mas se nossos desejos propeliram a evolução de nosso mundo, então, existe o mundo verdadeiramente fora de nós? Poderia ser que o mundo à nossa volta seja na verdade apenas um conto no qual desejamos acreditar?

Nós dissemos que a Criação começou do Pensamento da Criação, que criou as Quatro Fases Básicas da Luz. Estas fases incluem dez Sefirot: Keter (fase zero), Hochma (fase um), Bina (fase dois), Hesed, Gevura, Tifferet, Netzah, Hod, e Yesod (todas quais compreendem a fase três – Zeir Anpin), e Malchut (fase quatro).

O Livro do Zohar, o livro que todo Cabalista estuda, diz que toda a realidade consiste apenas de dez Sefirot. Tudo é feito de estruturas destas dez Sefirot. A única diferença entre elas é quão profundamente elas estão imersas em nossa substância – o desejo de receber.

Para entender o que os Cabalistas querem expressar quando dizem que “elas estão imersas em nossa substância,” pense numa forma, digamos uma bola pressionada contra um pedaço de plasticina ou um outro tipo de massa de modelar. A forma representa um grupo de dez Sefirot, e a massa representa a nós, ou nossas almas. Agora, mesmo se você pressionar a bola profundamente contra a massa, a bola em si não mudará. Mas quanto mais fundo a bola é imersa na massa, mais a massa é mudada por ela.

Como isto é percebido quando os elementos são um grupo de dez Sefirot e uma alma? Você alguma vez subitamente notou alguma coisa que sempre esteve à sua volta, só que agora um certo aspecto dela roubou sua atenção? Isto é similar à sensação das dez Sefirot afundando apenas um pouco mais no desejo de receber. Em termos simples, quando subitamente percebemos alguma coisa que não tínhamos percebido antes, é porque as dez Sefirot foram um pouco mais fundo em nós.

Os Cabalistas têm um nome para o desejo de receber – Aviut. Aviut na realidade significa espessura, e não desejo. Mas eles usam este termo porque quanto maior o desejo de receber, mais camadas são adicionadas a ele.

Como dissemos, o desejo de receber, a Aviut, consiste de graus básicos – 0, 1, 2, 3, 4. Conforme as dez Sefirot imergem mais fundo nos níveis (camadas) de Aviut, elas formam uma variedade de combinações, ou misturas do desejo de receber com o desejo de doar. Estas combinações criam tudo que existe: os mundos espirituais, os mundos corpóreos, e tudo que existe dentro deles.

As variações em nossa substância (desejo de receber) criam nossas ferramentas de percepção, chamadas de Kelim (plural de Kli). Em outras palavras, toda forma, cor, cheiro, pensamento – tudo que existe – está lá porque dentro mim existe um Kli apropriado para percebe-lo.

Assim como nossos cérebros usam as letras do alfabeto para estudarem o que este mundo tem a oferecer, nossos Kelim usam as dez Sefirot para estudarem o que os mundos espirituais têm a oferecer. E assim como estudamos este mundo sob certas
leis e restrições, para estudarmos os mundos espirituais precisamos conhecer as leis que definem aqueles mundos.

Quando estudamos alguma coisa no mundo físico, precisamos seguir determinadas leis. Por exemplo, para alguma coisa ser considerada verdadeira, ela necessita ser testada
empiricamente. Se os testes mostrarem que ela funciona, ela é considerada correta, até que alguém mostre – em testes, não em palavras – que ela não funciona. Antes de alguma coisa ser testada, ela não passa de uma teoria.

Os mundos espirituais têm limites também – três limites, para ser exato. Se pretendemos alcançar o propósito da Criação e nos tornarmos como o Criador, precisamos nos ater a estes limites.


2-TRÊS LIMITES NA APRENDIZAGEM DA CABALÁ


2.1-PRIMEIRO LIMITE – O QUE PERCEBEMOS

Em seu Prefácio ao Livro do Zohar, o Cabalista Yehuda Ashlag escreve que existem “quatro categorias de percepção – a Matéria, a Forma na Matéria, a Forma Abstrata, e a Essência.” Quando examinamos a Natureza espiritual, é nossa tarefa decidir quais destas categorias nos provêem com informação sólida e confiável, e quais não.

O Zohar opta por explicar apenas as duas primeiras. Em outras palavras, cada palavra nele é escrita ou da perspectiva da Matéria ou da Forma na Matéria, e nele não há nenhuma palavra sequer da perspectiva da Forma Abstrata ou da Essência.


2.2-SEGUNDO LIMITE – ONDE PERCEBEMOS

Como dissemos antes, a substância dos mundos espirituais é chamada de “a alma de Adam ha Rishon.” É assim que os mundos espirituais foram criados. Contudo, nós já passamos pela criação destes mundos, e estamos no nosso caminho de subida aos níveis superiores, mesmo que nem sempre pareça que é assim.

Em nosso estado, a alma de Adão já se partiu em pedaços. O Zohar ensina que a vasta maioria dos pedaços, 99 por cento para ser exato, foi espalhada pelos mundos de Beria, Yetzira, e Assiya (BYA), e o um por cento restante subiu para Atzilut.
Pelo fato da alma de Adão formar o conteúdo dos mundos BYA e por ter sido espalhada por estes mundos, e por todos nós sermos partes daquela alma, claramente todas as
coisas que percebemos podem ser partes apenas destes mundos. Tudo o que percebemos vindo de mundos superiores a BYA, como Aztliut e Adam Kadmon, é impreciso por essa razão, quer pareça assim para nós, quer não. Tudo o que podemos perceber dos mundos de Atzilut e Adam Kadmon são seus reflexos, ao serem vistos através dos filtros dos mundos de BYA.

Nosso mundo está no degrau mais baixo dos mundos de BYA. De fato, este degrau é completamente oposto em natureza ao restante dos mundos espirituais, e é este o porquê de nós não os sentirmos. É como se duas pessoas estivessem de costas uma para a outra e caminhando para direções opostas. Quais as chances de alguma vez encontrarem uma a outra?

Mas quando corrigimos a nós mesmos, descobrimos que já estamos vivendo dentro dos mundos de BYA. No final, até mesmo, ascenderemos com eles para Atzilut e para Adam Kadmon.


2.3-O TERCEIRO LIMITE – QUEM PERCEBE

Mesmo O Zohar adentrando em grandes detalhes sobre o conteúdo de cada mundo e do que acontece lá, como se houvesse um local físico onde as coisas ocorrem, ele está na
verdade se referindo apenas às experiências das almas. Em outras palavras, ele se refere a como os Cabalistas percebem as coisas, e nos conta de tal forma, que nós também, possamos experimenta-las. Então, quando estamos lendo no Zohar sobre eventos nos mundos de BYA, nós estamos na verdade aprendendo sobre como Rabi Shimon Bar-Yochai (autor do Livro do Zohar) percebeu os estados espirituais, pela narrativa de seu filho, Rabi Abba.

Assim também, quando os Cabalistas escrevem sobre os mundos acima de BYA, eles não estão na verdade escrevendo sobre aqueles mundos especificamente, mas sobre como os escritores perceberam aqueles mundos enquanto estavam nos mundos de BYA. E porque os Cabalistas escrevem sobre suas experiências pessoais, existem similaridades e diferenças em escritos Cabalísticos. Parte do que eles escrevem se refere à estrutura geral dos mundos, como os nomes das Sefirot e dos mundos. Outras coisas se referem a experiências pessoais que eles tiveram nesses mundos.

Por exemplo, se conto a um amigo sobre minha viagem à Nova Iorque, eu posso falar sobre a Times Square ou sobre as grandes pontes que conectam Manhattan ao continente. Mas também posso falar sobre quão minúsculo me senti ao dirigir pela grandiosa Brooklyn Bridge, e como é ficar no meio da Times Square, engolido pelo deslumbrante show de luzes, cores, e sons, e pela sensação de total anonimato. A diferença entre os primeiros dois exemplos e os dois últimos é que na última dupla eu estou relatando minhas experiências pessoais, e nos dois primeiros exemplos, estou falando das impressões que cada pessoa experimentará quando for a Manhattan, embora cada uma as experimentará diferentemente.

Quando falamos sobre o Primeiro Limite, dissemos que O Zohar fala apenas das perspectivas da Matéria e da Forma na Matéria. Dissemos que a Matéria é o desejo de receber, e a Forma na Matéria é a intenção pela qual o desejo de receber de fato recebe – ou para mim ou para os outros. Em termos mais simples: Matéria – desejo de receber; Forma = intenção.

É imperativo lembrar que O Zohar não deve ser tratado como um relato de eventos místicos ou uma coleção de contos. O Zohar, como todos os outros livros de Cabalá, deve ser usado como uma ferramenta de aprendizado. Isto significa que o livro irá ajuda-lo apenas se você, também, quiser experimentar o que ele descreve. De outra forma, o livro será de pouca utilidade para você, e você não o entenderá.

Lembre-se disso: O entendimento correto da escrituras Cabalísticas depende da sua intenção enquanto as lê, da razão pela qual você as abriu, e não do poder de seu intelecto. Apenas se você quiser ser transformado nas qualidades altruístas que o texto descreve, o texto afetará você.

A Forma da doação por si própria, é chamada de “o mundo de Atzilut.” A doação em sua Forma Abstrata é o atributo do Criador; é totalmente desconexa das criaturas, que
são receptoras por sua natureza. Contudo, as criaturas (pessoas) podem envolver o desejo de receber delas com a Forma da doação, para que se assemelhe à doação. Em outras palavras, podemos receber, e ao fazermos assim realmente nos tornamos doadores.

Existem duas razões pelas quais não podemos apenas doar:
1. Para doar, é preciso existir alguém que queira receber. Contudo, além de nós (as almas), há apenas o Criador, que não tem necessidade de receber nada, pois Sua natureza é doar. Conseqüentemente, a doação não é uma opção viável para nós.
2. Não temos desejos por isso. Não podemos doar porque somos feitos de um desejo de receber; a recepção é a nossa substância, nossa Matéria.

Ora, esta última razão é mais complexa do que pode parecer a princípio. Quando os Cabalistas escrevem que tudo que queremos é receber, eles não querem dizer que tudo que fazemos é receber, mas que esta é a motivação essencial por trás de tudo que fazemos. Eles expressam isto de forma bastante clara: Se algo não nos dá prazer, nós não podemos faze-lo. Não significa que não queremos; nós literalmente não podemos. Isto é assim porque o Criador (a Natureza) nos criou apenas com um desejo de receber, porque tudo o que Ele quer é doar. Daí então, não precisamos mudar nossas ações, mas apenas a motivação essencial por trás delas.

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domingo, 20 de dezembro de 2015

SUBINDO A ESCADA

CAPITULO IV

3-SUBINDO A ESCADA

Quando os Cabalistas falam sobre evoluir espiritualmente, eles falam sobre subir a escada espiritual. É por isso que o Cabalista Yehuda Ashlag chamou seu comentário sobre O Livro do Zohar de Perush HaSulam (O Comentário Escada), pelo qual ele foi
chamado de Baal HaSulam (Possuidor da Escada). Mas se voltarmos algumas páginas atrás, nós verificaremos que “subir a escada” na verdade significa “voltar às raízes.” Isto é assim porque nós já estivemos lá em cima, mas agora temos que imaginar como voltar para lá por nós mesmos.

A raiz é o nosso objetivo final; é para onde finalmente estamos nos dirigindo. Mas para chegarmos lá rapidamente e pacificamente precisamos de um grande desejo por isso – um Kli. Tal desejo pela espiritualidade pode apenas vir da Luz, do Criador, mas para se tornar forte o suficiente, ele precisa ser intensificado pelo ambiente.

Vamos esclarecer isso um pouquinho: Se eu quero uma fatia de bolo, eu imagino o bolo em minha mente, sua textura, cor, doce fragrância, e a maneira como ele derrete em minha boca. Quanto mais eu penso sobre ele, mais eu o desejo. Na Cabalá, nós diríamos que “o bolo brilha” para mim com “Luz Circundante.”

Assim então, para desejarmos a espiritualidade, precisamos adquirir um tipo de Luz Circundante que nos fará desejar prazeres espirituais. Quanto mais Luz obtermos, mais
rápido progrediremos. Desejar a espiritualidade é chamado de “elevar MAN,” e a técnica para fazer isso é a mesma utilizada para aumentar o desejo pelo bolo – imagina-lo, falar sobre ele, ler sobre ele, pensar sobre ele, e fazer o que puder para focar-se nele. Mas o mais poderoso meio de aumentar qualquer desejo é o nosso ambiente social. Nós podemos usar o ambiente para intensificar nosso desejo espiritual, nosso MAN, e assim
acelerarmos nosso progresso.

Nós falaremos mais sobre o ambiente no Capítulo Seis, mas no momento, vamos pensar nisto dessa forma: Se todos à minha volta desejam e falam sobre a mesma coisa, e há apenas uma coisa que está “em foco,” eu sou impelido a deseja-la.

No Capítulo Dois, nós dissemos que a aparição de um Kli, um desejo, força os nossos cérebros a buscarem por uma maneira de preencher este Kli com Ohr (Luz), para satisfaze-lo. Quanto maior o Kli, maior a Luz; quanto maior a Luz, mais rápido encontraremos o caminho correto.

“Existe alguma diferença em chamar a Luz de “Luz Circundante” ou apenas de “Luz”?
Os títulos diferentes, “Luz Circundante” e “Luz”, referemse a duas funções da mesma Luz. A Luz que não é considerada Circundante é a que experimentamos como prazer, enquanto a Luz Circundante é a Luz que constrói o nosso Kli, o lugar onde a Luz finalmente entrará. Ambas na realidade são a mesma Luz, mas quando a experimentamos corrigindo e construindo a chamamos de “Luz Circundante.” Quando a sentimos como puro prazer, nós a chamamos de “Luz.”

Antes de desenvolvermos um Kli, é simplesmente natural que não recebamos Luz alguma. Mas a Luz está lá, circundando nossas almas assim como a Natureza sempre
nos circunda. Assim, enquanto não temos um Kli, a Luz Circundante constrói o nosso Kli para nós, aumentando nosso desejo por ela.

Nós precisamos ainda entender como a Luz Circundante constrói o nosso Kli e para começar porque é chamada de “Luz”. E para entendermos tudo isso, precisamos entender o conceito de Reshimot.

Os mundos espirituais e a alma de Adam ha Rishon evoluíram em uma certa ordem. Nos mundos, foi Adam Kadmon, Atzilut, Beria, Yetzira, e Assiya; e em Adam ha Rishon, a evolução foi chamada pelos tipos de desejos que emergiram – inanimado, vegetativo, animal, falante, e espiritual.

Assim como não esquecemos nossa infância, mas contamos com eventos passados nas experiências presentes, cada passo completado no processo evolucionário não é perdido, mas é registrado em nossa “memória espiritual” inconsciente. Em outras palavras, está dentro de nós toda à história de nossa evolução espiritual, do período em que éramos um com o Pensamento da Criação até hoje. Subir a escada espiritual significa lembrar-se mais uma vez dos estados que já experimentamos, e descobrir estas memórias.

Estas memórias são apropriadamente chamadas de Reshimot (registros), e cada Reshimo (singular de Reshimot) permanece para um estado espiritual específico. Porque nossa evolução espiritual se desdobrou em uma ordem específica, agora os Reshimot emergem em nós nesta exata ordem. Em outras palavras, nossos estados futuros já estão determinados porque não estamos criando nada novo, apenas nos lembrando de eventos que já ocorreram conosco, os quais não percebíamos. A única coisa que podemos determinar, e nós discutiremos isso detalhadamente nos próximos capítulos, é quão rápido podemos subir a escada. Quanto mais duro trabalhamos ao subi-la, mais rápido estes estados mudarão e mais rápido será nosso progresso espiritual.

Cada Reshimo é completado quando nós completamente o experimentamos, e como uma corrente, quando um Reshimo acaba, o próximo Reshimo emerge. Este próximo Reshimo originalmente criou o Reshimo presente, mas porque agora estamos subindo de volta a escada, o Reshimo presente está despertando seu criador original. Assim, nós nunca devemos esperar terminar nosso estado presente para que possamos descansar, porque quando o estado presente termina, ele conduzirá ao próximo na linha até que completemos nossa correção.

Quando tentamos nos tornar altruístas (espirituais), aproximamo-nos de nosso estado corrigido porque despertamos os Reshimot mais rapidamente. E por serem estes Reshimot registros de experiências espirituais superiores, as sensações que eles criam em nós são sensações mais espirituais. Quando isto acontece, começamos a sentir vagamente a conectividade, a unidade, e o amor que existe naquele estado, parecendo muito com uma luz tênue, distante. Quanto mais tentamos alcança-la, mais próximo chegamos dela, e mais forte ela brilha. Além do mais, quanto mais forte a Luz, mais forte o nosso desejo por ela, e assim a Luz constrói o nosso Kli, nosso desejo pela espiritualidade.

Agora vemos também que o nome, “Luz Circundante,” descreve perfeitamente como nós a sentimos. Enquanto não a tivermos alcançado, a veremos como externa, nos atraindo com sua ofuscante promessa de felicidade. Toda vez que a Luz constrói um Kli grande o suficiente para que entremos no próximo nível, o próximo Reshimo chega
e um novo desejo emerge em nós. Nós não sabemos porque nossos desejos mudam, porque eles sempre são partes de Reshimot de um grau mais elevado que o nosso nível atual, mesmo quando eles não parecem ser.

Assim como o último Reshimo emergiu, trazendo-nos ao nosso estado presente, um  novo desejo de um novo Reshimo agora se aproxima. É assim que continuamos nossa subida pela escada. É um espiral de Reshimot e ascensões que termina no propósito da Criação – a raiz de nossas almas, quando nos igualamos e nos unimos ao Criador.


3.1-O DESEJO PELA ESPIRITUALIDADE

Cada Macaco no Seu Galho

A única diferença entre as pessoas está na maneira em que elas querem experimentar prazer. O prazer em si, no entanto, é amorfo, intangível. Mas ao cobri-lo com diferentes “roupagens,” ou “revestimentos”, cria-se uma ilusão de que existem diferentes tipos de prazer, quando de fato existem diferentes tipos de revestimentos.

O fato do prazer ser essencialmente espiritual explica porque temos um anseio inconsciente pela substituição do revestimento superficial do prazer pelo desejo de senti-lo em sua forma pura, não adulterada: a Luz do Criador.

E porque não estamos conscientes de que a diferença entre as pessoas está nos revestimentos dos prazeres que elas desejam, nós a julgamos de acordo com os revestimentos que elas preferem. Nós consideramos legais determinados revestimentos do prazer, como o amor aos filhos, enquanto outros, como as drogas, são considerados inaceitáveis. Quando percebemos um revestimento inaceitável do prazer emergindo em nós, somos obrigados a esconder nosso desejo por aquele revestimento. Contudo, esconder um desejo não o faz ir embora, e com certeza não o corrige.

Assim como explicamos na seção anterior, a parte inferior da Fase Quatro é a substância da alma de Adam ha Rishon. Assim como os mundos são construídos de acordo com os desejos crescentes, a alma de Adão (a humanidade) evoluiu através de cinco fases: de Zero (inanimada) até Quatro (espiritual).

Quando cada fase surge, a humanidade a experimenta ao máximo até que ela se exaure. Então, o próximo nível de desejo emerge, de acordo com a seqüência de Reshimot incrustada em nós. Até hoje, já experimentamos todos os Reshimot de todos os desejos do inanimado ao falante. Tudo que restou para a evolução da humanidade ser completada é que experimentemos os desejos espirituais ao máximo. Daí, nossa unidade com o Criador será alcançada.

Na realidade, o surgimento dos desejos do quinto nível começou no século XVI, assim como foi descrito pelo Cabalista Isaac Luria (o Ari), mas hoje estamos testemunhando o
surgimento do tipo mais intenso dentro do quinto nível – o espiritual dentro do espiritual. Além do mais, estamos testemunhando seu surgimento em enorme número, no tempo em que milhões de pessoas no mundo todo estão buscando respostas espirituais às suas perguntas.

Por estarem, os Reshimot que emergem hoje, mais próximos da espiritualidade do que estavam antes, as principais perguntas que as pessoas têm feito são sobre suas origens, suas raízes! Apesar da maioria delas terem um teto sobre suas cabeças e obterem o suficiente para sustentarem a si e a suas famílias, elas têm perguntas a respeito donde vieram, por desígnio de quem, e para que propósito. Quando elas não estão satisfeitas com as respostas que as religiões oferecem, elas buscam-nas em outras disciplinas.

A principal diferença entre a Fase Quatro e todas as outras fases é que nesta fase, precisamos evoluir conscientemente. Nas fases anteriores, era sempre a Natureza que nos compelia a movermo-nos fase a fase. Ela fez isso nos pressionando o bastante para sentirmo-nos tão desconfortáveis em nosso presente estado que tínhamos de muda-lo. É assim que a Natureza desenvolve todas as suas partes: humana, animal, vegetativa, e até inanimada.

Por sermos naturalmente preguiçosos, nós apenas nos moveremos de um estado para o próximo quando a pressão tornar-se intolerável. De outra maneira, não moveríamos
sequer um dedo. A lógica é simples: Se eu estou bem onde estou, por que mudar?

Mas a Natureza tem um plano diferente. Ao invés de nos permitir permanecermos complacentes em nosso estado presente, ela quer que nós evoluamos até alcançarmos o seu próprio nível, o nível do Criador. Este é o propósito da Criação.

Então temos duas opções: podemos escolher evoluir pela pressão (dolorosa) da Natureza, ou podemos evoluir de forma indolor participando do desenvolvimento de nossa percepção.

Permanecer sem evoluir não é uma opção, pois não se encaixa no que foi planejado pela Natureza quando ela nos criou. Quando o nosso nível espiritual começa a evoluir, tal
evolução só pode ocorrer se desejarmos evoluir e alcançar as mesmas condições que o Criador. Assim como a Fase Quatro nas Quatro Fases, nos é requerido que voluntariamente mudemos o nosso desejo.

Portanto, a Natureza continuará nos pressionando. Nós continuaremos a ser golpeados por furacões, terremotos, epidemias, terrorismo, e todos os tipos de adversidades naturais e causadas pelo homem até que compreendamos que temos de mudar, que precisamos conscientemente retornar à nossa Raiz.

Apenas para revisar: nossa raiz espiritual evoluiu da Fase Zero à Quatro; a Fase Quatro se dividiu em mundos (sua parte superior) e almas (sua parte inferior). As almas – reunidas na alma universal de Adam ha Rishon – romperam-se perdendo seu senso de unidade com o Criador. Esta quebra de Adam há Rishon trouxe a humanidade ao seu presente estado, com uma barreira invisível que separa os mundos espirituais (sobre ela)
de nosso mundo (abaixo).

Abaixo da barreira, a força espiritual criou uma partícula material, que começou a se desenvolver. Isto foi o Big Bang. Lembre-se que quando os Cabalistas falam sobre o
mundo espiritual e sobre o mundo material, físico, eles estão se referindo a aspectos altruístas ou egoístas, respectivamente.

Eles nunca se referem a mundos que ocupam espaço físico em algum universo não descoberto. Nós não podemos entrar numa nave espacial e voar para o mundo de Yetzira, por exemplo, ou mesmo descobrir a espiritualidade mudando nosso comportamento. Nós podemos apenas descobri-la nos tornando altruístas – similares ao
Criador. Quando fizermos isso, descobriremos que o Criador já está dentro de nós e que Ele esteve sempre aqui, esperando por nós.

Todos os níveis anteriores ao último, evoluem sem a percepção de “si mesmos”. Em termos de nossa percepção pessoal, o fato de que existimos não significa que estamos
conscientes de nossa existência. Antes de alcançarmos o quarto nível, meramente existimos. Em outras palavras, vivemos nossas vidas da forma mais confortável que pudermos, mas garantimos nossa existência sem perguntarmos sobre o propósito dela.
Mas, ele é realmente tão óbvio assim? Os minerais existem para que as plantas possam se alimentar deles e crescer; as plantas existem para que os animais possam se alimentar delas e crescer; os minerais, as plantas, e os animais existem para que os humanos possam se alimentar deles e crescer. Mas, qual é propósito da existência humana? Todos os níveis nos servem, mas ao que ou a quem servimos? A nós mesmos? Nossos egos? No momento em que fazemos estas perguntas pela primeira vez, é o começo de nossa evolução consciente, o emergir do desejo pela espiritualidade. Ele é chamado de “ponto no coração.”

No último nível evolucionário, começamos a entender o processo do qual somos parte. Simplificando, começamos a adquirir a lógica da Natureza. Quanto mais entendemos sua lógica, mais expandimos nossa consciência e nos integramos a ela. No final, quando tivermos dominado completamente a lógica da Natureza, entenderemos como a Natureza trabalha e até aprenderemos a controla-la. Este processo ocorre exclusivamente no último nível, o nível da ascensão espiritual.

Precisamos sempre lembrar que nosso nível final de desenvolvimento humano deve se desdobrar conscientemente e voluntariamente. Sem um desejo explícito pelo crescimento espiritual, nenhuma evolução espiritual pode ocorrer. Além do mais, a evolução de cima para baixo já aconteceu. Nós fomos rebaixados desde as Quatro Fases da Luz passando pelos mundos de Adam Kadmon, Atzilut, Beria, Yetzira, e Assiya, e
finalmente fomos colocados aqui neste mundo.

Se agora, estamos para subir de volta a escada espiritual, precisamos escolher fazer isso. Se esquecermos que o propósito da Criação é que nos tornemos como o Criador, não
entenderemos porque a Natureza não nos ajuda – e às vezes até coloca obstáculos em nosso caminho.

Mas se, por outro lado, mantermos apenas o objetivo da Natureza em mente, perceberemos que nossas vidas são uma fascinante jornada de descobertas, uma caça ao tesouro espiritual. Além disso, quanto mais ativamente participamos deste Tour da Vida, mais rápidas e fáceis estas descobertas se tornarão. Melhor ainda, as dificuldades serão sentidas como perguntas que precisamos responder, ao invés de provações que precisamos encarar em nossas vidas materiais. É por isso que evoluir pela nossa própria consciência é bem melhor que evoluir depois da Natureza nos dar um doloroso empurrão por trás!

Se nós temos um desejo de evoluir na espiritualidade, então temos o Kli correto para isto, e não há melhor sentimento do que o de um Kli preenchido, um desejo realizado.
Mas o desejo pela espiritualidade precisa vir antes do preenchimento espiritual. Preparar o Kli antes da Luz não é apenas o único meio de ascender na quarta fase; é também o
único meio no qual nenhuma dor ou deficiência está envolvido.

De fato, se pensarmos sobre isso, não há nada mais natural do que preparar o Kli primeiramente. Se eu quero tomar um copo d’água, então a água é a minha luz, meu prazer. Naturalmente, para beber água eu preciso preparar o Kli primeiramente, que no caso será a sede. E o mesmo se aplica a qualquer coisa que queiramos receber neste mundo. Se um carro novo é a minha luz, então meu desejo por ele é o meu Kli.

Este Kli me faz trabalhar pelo carro, e garante que eu não vá desperdiçar meu dinheiro em outros caprichos. A única diferença entre um Kli espiritual e um material é que eu não sei exatamente o que eu receberei com um Kli espiritual. Eu posso imagina-lo como coisas de todos os tipos, mas porque existe uma barreira entre meu estado presente e
meu objetivo desejado, eu nunca posso realmente saber com o que meu objetivo se assemelhará, até que eu realmente o alcance. Quando eu o alcanço, é melhor do que qualquer coisa que jamais poderia imaginar; mas eu nunca saberei com certeza quão bom ele é até que eu o tenha verdadeiramente alcançado.

Se eu conhecesse minha recompensa adiantadamente, isto não seria verdadeiro altruísmo, mas egoísmo disfarçado.

RESUMINDO

O mundo físico evolui pela mesma ordem de níveis do mundo espiritual, através de uma pirâmide de desejos. No mundo espiritual, os desejos (inanimado, vegetativo, animal, falante, e espiritual) criam os mundos de Adam Kadmon, Atzilut, Beria, Yetzira, e Assiya. No mundo físico, eles criam os minérios, as plantas, os animais, as pessoas, e as pessoas com “pontos em seus corações.”

O mundo físico foi criado quando a alma de Adam há Rishon se fragmentou. Naquele estado, todos os desejos começaram a aparecer um a um dos leves aos pesados, do inanimado ao espiritual, criando nosso mundo fase por fase. Hoje, no começo do século XXI, todos os níveis já foram completados exceto o desejo pela espiritualidade, que está
emergindo agora. Quando o corrigirmos, nos uniremos com o Criador porque nosso desejo pela espiritualidade é na realidade o desejo pela unidade com o Criador. Este será o clímax do processo evolucionário do mundo e da humanidade.

Ao ampliarmos nosso desejo de retornar à nossa raiz espiritual, construímos um Kli espiritual. A Luz Circundante corrige o Kli e o desenvolve. Cada novo nível de desenvolvimento evoca um novo Reshimo, um registro de um estado passado que já experimentamos quando éramos mais corrigidos. Finalmente, a Luz Circundante corrige todo o Kli, e a alma de Adam ha Rishon é reunida em todas as suas partes e com o Criador.

Mas este processo nos conduz a uma pergunta: se os Reshimot são gravados dentro de mim, e se os estados são evocados e experimentados dentro de mim também, então
onde está a realidade objetiva em tudo isso? Se uma outra pessoa possui Reshimot diferentes, isso significa que ele ou ela está vivendo em um mundo diferente do meu? E sobre os mundos espirituais, onde eles existem, se tudo existe dentro de mim? Além do mais, onde é a morada do Criador? Continue lendo, o próximo capítulo responderá todas as suas perguntas.

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